Questionamentos sobre as mudanças climáticas

Na edição de 30 de Março da Revista The Economist e na edição da última semana da VEJA as matérias abordaram a tendência recente dos dados sobre as mudanças climáticas. O fato novo são resultados mostrando que a temperatura média da Terra da última década (2001 a 2012) não está aumentando, mas está flutuando num valor estável próximo de + 0,5o C com relação a média dos anos anteriores a 1980.
Estes valores já estão ficando fora da banda de confiança da previsão dos modelos climáticos utilizados pelo IPCC (International Panel for Climate Change). Em 2012 o aumento previsto pelos modelos deveria ter superado aumento de 0,7o, mas nos últimos anos está abaixo do aumento referido acima, ficando fora da banda de 75%, mas no limite da banda de 95% de erro. Estes valores parecem pequenos considerando a magnitude do globo, mas filtram médias dos dados disponíveis em diferentes partes do planeta dentro de padrões definidos.
Baseado nestes dados está aumentando o questionamento quanto a veracidade das hipóteses utilizadas pelos modelos climáticos em estimar a tendência crescente de aumento da temperatura em função da emissão de CO2 pela sociedade moderna desde os anos 80.
A projeção do IPCC que representa os países e reúne um grande número de influentes pesquisadores estimou no seu relatório de 2007 que dobrando a quantidade de CO2 na atmosfera de 280 ppm (período pré-industrial) para 560 ppm a temperatura média deverá aumentar em média 3º C, com desvio padrão de 1º C. O próximo relatório do IPCC que será apresentado em setembro parece que não deverá alterar muito estas estimativas (segundo as revistas).
Outros relatórios apresentam estimativas no qual o aumento da temperatura varia de 1,6 a 2,3º C de valor esperado para a temperatura média, portanto menor que a previsão anterior, com baixa probabilidade de aumento de temperatura acima de 4,5º C, que seria crítico para várias regiões do planeta, reduzindo a demanda por mitigações.
É importante lembrar que existe um razoável grau de incertezas nestas estimativas e representam cenários previstos por modelos que não possuem um real ajuste com dados observados em todos os seus componentes, portanto baseado em hipóteses físicas conhecidas e a serem verificadas. Estes processos apesar de serem tratados de forma determinística possuem vários componentes caóticos que requerem verificação ao longo do tempo gerando incertezas nos dados de entrada, nos modelos e nos seus parâmetros que produzem esta variabilidade de resultados e de diferenças com a realidade.
Todo este processo faz parte do aumento do conhecimento necessário e a minimização do erro na ciência, o que não faz parte da ciência é transformar mudança climática e seus resultados numa verdade absoluta, deixando a mingua de recursos de pesquisa quem questiona os resultados do “main stream” da ciência.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *