Dúvidas e incertezas das mudanças climáticas (Artigo 1 de 3)

As mudanças climáticas afetam o dia a dia de toda a população, mas quem disse que o clima é constante? Sempre foi variável, no entanto, o que se discute é a magnitude desta variação. Observam-se variações na sazonalidade e nos extremos em diferentes épocas do ano. Porém, até que ponto estas variações não fazem parte das variações de período mais longo e nossos dados e memória são mais curtos (variabilidade interdecadal do clima)?

Parte das evidências de mudanças climáticas pode estar relacionada com a variabilidade de longo prazo do clima e parte devido ao efetivo efeito antropogênico da emissão de gases de efeito estufa. Os principais argumentos são apresentados com base na simulação com modelos climáticos, no entanto estes modelos apresentam simulações que comparam resultados entre si, tentando estimar suas incertezas, mas não são analisados com dados (atuais) para representar o cenário climático. Quando foram utilizados, apresentaram tendenciosidade na representação de variáveis climáticas e tendem a subestimar ou superestimar a precipitação. Quando os resultados entre modelos são comparados, os resultados mostram desvio padrão igual ou maior que a própria variação do clima.

Os modelos têm sido utilizados para comparar cenários futuros e analisar diferentes impactos na sociedade. Representam cenários comparativos e não absolutos. Portanto, a capacidade efetiva de quantificar os impactos absolutos num distante final do século é baixo. Os relatórios que utilizam estes modelos tendem a mencionar com alto grau de probabilidade (que os modelos não possuem) acontecimento de eventos como de inundação. Mencionam que tenderão a se tornar mais extremos nos mínimos e nos máximos. Sempre que ocorre uma grande cheia ou uma grande estiagem, é mencionada a mudança climática. A questão fundamental é que os modelos não possuem capacidade de estimar de forma adequada estes eventos. Os argumentos a favor dos modelos são que, analisando cenários relativos, é possível ter uma visão do futuro. Será real?

Não tenho respostas para todas estas perguntas, nem estou desejando desprezar as previsões, apenas coloco as reais questões existentes. Lembro que no início da década de 90, quando trabalhei numa pesquisa internacional sobre o assunto, o coordenador perguntou a todos os pesquisadores se acreditavam em mudança climática. A minha resposta foi que os argumentos usados têm lógica qualitativa, mas os argumentos quantitativos não eram precisos para comprovar a magnitude dos efeitos. Passados vinte anos, os modelos evoluíram muito, mas ainda possuem razoável tendenciosidade. Isto não é nenhum fracasso, ao contrário, existem muitos resultados promissores, mas como pesquisadores, é necessário buscar a resposta com melhor comprovação. Isto na realidade não deve nos tornar inertes ou deixar de adotar medidas de gestão relacionadas com os riscos e com as informações existentes. Isto envolve alguma precaução e medidas preventivas dentro do cenário de planejamento de longo prazo dos sistemas hídricos.

Duas semanas atrás fiz uma apresentação num evento em São Paulo e coloquei muito das minhas dúvidas e mostrei que o efeito em recursos hídricos é o das séries não-estacionárias. As séries não-estacionárias podem ocorrer devido:

  • Mudanças do uso do solo e obras hidráulicas: desmatamento, reflorestamento, urbanização, barragens, diques, etc;
  • Variabilidade climática natural;
  • Mudanças climáticas.

Os projetos de engenharia de recursos hídricos adotam séries estatisticamente estacionárias, portanto podem aumentar as suas incertezas para o futuro em função destes fatores. As variabilidades climáticas são evidentes nas séries observadas no passado e levaram a insustentabilidade de regiões. Da mesma forma que a alteração da cobertura do solo alterou as vazões e as condições hídricas. Portanto, torna-se uma arte de planejar considerando a gestão de risco.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

4 Comments

  1. João Marcelo Lopes

    Muito bom o texto, Professor.

    Então pergunto, em uma região grande, tipo São Paulo e região metropolitana que sofreu mudanças devido a urbanização drásticas nos últimos 50 anos, uma equação IDF desenvolvida a 50 anos não representa a atual vazão?

    IDF provavelmente se alterou com a urbanização, principalmente as chuvas de duração menor e frequência alta.

  2. Olá,

    Alguns dizem que há interesses por trás desse tal de aquecimento global. Pode até haver alguns que se aproveitam no meio de uma coisa midiática tão grande, mas enquanto o absurdo empirismo dessa gente que comanda e domina essa questão não aplicar as ciências de conhecimento universal e assim continuar cometendo erros tão absurdos e elementares da física básica, podem deixar que se trata apenas de ignorância científica mesmo e, por isso, uma “conspiração” climática mundial não se sustenta. E ja deram muitas provas disso, em seus “modelos” fajutos (os quais são ajustados para darem os resultados desejados, que absurdo!!), em publicações de revistas, em “previsões”, etc. Primeiro eles têm que entender bem e resolver cientificamente a questão, como eu já a resolvi, modestamente, o que o Molion não conseguiu, antes de afirmarem que há conspiração, por uma questão de lógica e bom senso.

    Quem comanda e domina essa questão no mundo é o IPCC e seus meteorologistas, climatologistas, hidrologistas, etc, os quais, para afirmar que existe aquecimento “global”, absurda e ingenuamente relacionaram um aumento de temperatura com um aumento de CO2. Mas, para constatar que há aumento do efeito estufa não basta uma simples e ingênua relação de um parâmetro com outro, pois na atmosfera há muitos outros parametros que precisam ser relacionados entre si para podermos realmente constatar um aumento de aquecimento atmosférico. E tais relações são baseadas na teoria física da questão, o que não se vê os profissionais acima relacionados fazerem, por isso erram tanto e tão absurdamente. E falo isso não apenas em relação às coisas que se vê na mídia, mas em relação às publicações de suas revistas internacionais, cujos artigos deveriam ser um primor de ciência, mas não são, são muitos e enormes absurdos mesmo.

    Além de eles terem relacionado somente um único parâmetro com outro, eles escolheram apenas as partes da história em que há os referidos aumentos, mas há outras partes da história em que há reduções desses parametros que não foram considerados por eles. É nessa hora que entra o Molion, que escolheu para suas afirmações exatamente o lado contrário dos outros, ou seja, quando os referidos parâmetros decrescem, cometendo o mesmo erro, só que do lado contrário. Vale lembrar que o Molion é tambem meteorologista e, como os outros empíricos, só depende de dados experimentais, os quais têm uma variabilidade natural complexa que confunde se as análises não forem ajudadas pela verdadeira teoria científica. Trabalhei e tenho trabalhado teórica e experimentalmente com sistemas de aquecimento atmosferico e posso dizer que quase tudo que tem sido dito sobre o tal do aquecimento “global” está essencialmente errado, inclusive pelo Molion.

    Por incrível que pareça, o ser humano é sim capaz de causar mudanças climáticas, mas não do jeito que dizem. Com poucas palavras, faço qualquer um entender como o ser humano pode sim interferir no clima. Enquanto isso, conheçam mais em sartori-aquecimentoglobal.blogspot.com.

  3. celia castello

    Prezado Prof. Tucci,

    Preciso de seu e-mail e telefone para formular um convite para participação do Segundo Encontro Técnico de Alto Nível: Proteção de Mananciais, a ser realizado no dia 15 de junho de 2011, a partir das 09:00 hs.
    Aguardo sua resposta, pelo que, antecipadamente, agradeço.
    Célia G. Castelló
    Gerente de Projetos
    Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental – AIDIS
    Tel.> 3812-4080

    Agradeço o convite. Neste período estarei num evento internacional em Foz de Iguaçu sobre energia.

  4. – Professor, a Terra vai aquecer ou esfriar?

    – A única possibilidade para a Terra esfriar de vez é o Sol esfriar de vez, ou seja, o fim do mundo. Não sendo isso, trata-se apenas das variabilidades das temperaturas, as quais dependem de uma série de fatores, incluindo os causados pelos ciclos do Sol.

    O Molion disse que o planeta vai esfriar nos próximos 20 anos para contradizer o tal aquecimento, mas, não é dessa forma que se resolve a questão da influência humana no clima. Além disso, depois de 20 anos, ele dirá que o planeta vai aquecer ou esfriar até o fim do mundo? Parece que ele sabe quando e como vai ser o fim do mundo…

    A ciência séria não vive de previsões, nem de adivinhações, nem de alquimia, nem de empirismo, nem de “achismos”, pois ela trata de constatar e descrever com critério e rigor o que existe e isso já é muito difícil de fazer com exatidão, quanto mais profetizar sobre o futuro ou o longínquo passado quando os eventos da natureza são tão complexos e variáveis bem como os distantes dados (na verdade, suposições!) não são confiáveis e métodos disponíveis não têm a precisão requerida para dar garantias sobre tempos longe do presente. E quem poderá vaticinar sobre mudanças drásticas do comportamento do Sol, sabendo-se que a energia emitida por ele (medida e conferida por satélites) pode ser considerada constante, pois ela varia para mais e para menos em no máximo 0,5 W/m2 (0,04%) aproximadamente a cada 11 anos em torno de uma média de 1.366 W/m2 (e ainda fora da atmosfera, pois esta – principalmente o vapor d’água – atenua essa energia na sua maior parte)?

    Nisso tudo, o que interessa é o Homem ser capaz de saber se e como ele pode influenciar o clima (sobre isso já desenvolvi e esclareci muito), independentemente se com mais ou menos energia recebida, pois naquilo que o Homem não controla não adianta ficar batendo boca se é o Sol ou não é o Sol. Também fico impressionado com a facilidade e “exatidão” que os empíricos têm em “garantir” os longínquos passados e futuros quando na verdade não conseguem sequer conhecer e descrever corretamente o comportamento da atmosfera atual e real.

    O Homem deve ser ciente daquilo em que pode atuar e modificar e, esfriar o planeta o ser humano não pode, a menos que fizesse uma geladeira maior do que a Terra para retirar calor do planeta (logo, esfriar) e jogar esse calor para o espaço e isso é o que postula a segunda lei da termodinâmica para o caso, a qual não pode ser desprovada. Assim, a influência humana em um esfriamento do planeta está descartada.

    Portanto, só resta explicar mais sobre a capacidade humana de aquecer ou interferir no clima, mas, quanto ao chamado aquecimento global isso não é bem assim e vou deixar essa questão para outras ocasiões bem como recomendo novamente o blog http://sartori-aquecimentoglobal.blogspot.com

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