Sustentabilidade urbana

O Clube de Roma foi criado na década de 1960, formado por intelectuais, e em 1972, desenvolveram um estudo chamado “Limites do crescimento” (Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, Jorgen Randers, and William W. Behrens III). O estudo utilizou alguns modelos de crescimento exponencial para projetar a população e para a habilidade da tecnologia em aumentar a disponibilidade de recursos, se baseou num modelo linear. Cinco variáveis foram utilizadas: população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e a depleção dos recursos. Versões atualizadas foram publicadas em 1993 e 2004 atualizando depois de 20 e 30 anos respectivamente os prognósticos. Este tipo de exercício permite analisar as tendências evolutivas que podem ocorrer no desenvolvimento socioeconômico e ambiental num mundo de recursos limitados. As projeções produziram cenários mais críticos do que a realidade e a sociedade tem conseguido superar prognósticos ruins.

A variável fundamental neste tipo de projeção é o crescimento populacional. A população mundial é estimada atualmente em 6,7 bilhões e tem crescido desde o século XIV, quando estava em 300 milhões. O crescimento mundial chegou ao seu máximo de 2,2% em 1963 e declinou para 1,1 % em 2009. A população mundial esperada em 2050 é de 9 bilhões, com intervalo de confiança entre 7,5 e 10,5 bilhões em 2050, com 70% da população nas cidades (atualmente é de 50%).
É interessante observar que o maior redutor do crescimento populacional é a urbanização, transformando uma população rural e agrícola numa população que atua da indústria e nos serviços. As economias modernas são praticamente de serviços. Os Estados Unidos tem mais de 90% do emprego em serviços (que leva as pessoas para as cidades), 8% na indústria e 2% na agricultura. A China que criou um programa de controle da natalidade já está pensando em reverter o processo na medida em que o seu crescimento é inferior à do Brasil e tenderia a reduzir a população e para uma população idosa no futuro. O crescimento mundial ainda é alto nos países mais pobres da África e do Sudeste Asiático, onde a África é o grande desafio futuro. Portanto, a tendência é muito mais de urbanização do que explosão populacional, com estabilização da população mundial, mas com um novo problema que é a grande concentração em cidades.

Portanto, um submodelo de análise será a viabilidade de grandes concentrações urbanas em pouco espaço com limitados recursos naturais que integram energia, transporte, água e meio ambiente, saúde, segurança, habitação e recreação (sem mencionar outros como comunicação).
Um exemplo deste cenário é a cidade de São Paulo, para onde existe uma forte convergência de alta renda (Região Metropolitana de São Paulo concentra 20% do produto bruto do Brasil), demanda e crescimento econômico do país, mas com uma qualidade de vida se deteriorando de forma assintótica devido a:

  • (a) falta de capacidade de locomoção, para ir de um lugar a outro;
  • (b) falta de água, pois está no limite da disponibilidade;
  • (c) alta nível poluição aérea, aquática e do solo com impacto da saúde da população;
  • (d) falta de transporte de público confiável;
  • (e) segurança, apesar dos menores níveis brasileiros de assassinatos por 100 mil habitantes.

Como a cidade irá resolver este conjunto de problemas é uma incógnita, mas poderá ter dois processos:

  • (a) melhoria principalmente dos indicadores de transporte público e segurança para que a população possa reduzir os veículos nas ruas; ou a tendência de deslocamento da população para outras regiões dos serviços.

São necessários modelos urbanos integrados que busquem soluções e fortes investimentos em setores como transporte público e segurança, quem possui um carro não irá para o transporte público se não for confiável e a cidade não for segura para se locomover. A solução poderá vir com maiores ou menores custos socioeconômicos.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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