Regionalização de vazões I

Nas últimas semanas comentamos as limitações das séries hidrológicas, nas próximas semanas estaremos discutindo os métodos hidrológicos que procuram minimizar a falha de dados, entre eles a regionalização. Deve-se destacar que nenhuma metodologia hidrológica aumentará os dados disponíveis, apenas exploram melhor estes dados. Por exemplo, quando se utiliza de geração de séries estocásticas hidrológicas na realidade não se está gerando informação, mas séries com igual probabilidade que a existente e com as mesmas estatísticas que a forma.
A regionalização de variáveis hidrológicas é forma encontrada para transformar dados pontuais em espaciais e obter informações nos locais sem dados. O termo regionalização é utilizado para denominar a transferência de informações de um local para outro dentro de uma área de comportamento hidrológico semelhante. A regionalização se baseia sempre no comportamento estatístico e na correlação destas variáveis no espaço. Um mapa de isoietas de uma bacia hidrográfica, que caracteriza a distribuição das chuvas com uma duração é uma forma de regionalização, quando se utiliza os postos pluviométricos existentes e procura-se desenhar a isoietas que são linhas de mesma precipitação. O traçado destas linhas se baseia em conhecimento da topografia e na interpolação entre os valores e um conhecimento climático da bacia.
A regionalização da vazão envolve um conhecimento maior, já que esta variável é uma função sinérgica do comportamento da chuva no tempo e no espaço, do tipo e uso do solo, do uso da água e suas variantes. O hidrograma que representa a vazão num determinado local representa todos os efeitos na vazão em cada intervalo de tempo. Quando se regionaliza esta informação, geralmente é realizada sobre estatísticas desta variável, como a vazão média, vazão mínima com uma duração risco, vazão máxima com um determinado risco de ocorrência.
Na regionalização são utilizadas técnicas estatísticas e matemáticas como a regressão entre a variável que se deseja estimar em função de variáveis explicativas que possam ser determinadas nos locais sem dados de vazão. Por exemplo, a vazão média de uma bacia é uma estatística útil da vazão. Para determinar a vazão média pode-se utilizar a área de drenagem da bacia, a precipitação (anual ou semestral), evapotranspiração, entre outras. Observa-se que na maioria dos locais a área de drenagem é a variável que mais explica a vazão média, seguida da precipitação anual na bacia. Utilizando os locais com dados ajusta-se a equação escolhida e pode-se estimar a vazão média em locais sem vazão onde se pode estimar a área de drenagem e a Precipitação obtida de isoietas. Outras estatísticas das vazões podem ser estimadas com equações semelhantes ou por curvas adimensionais.
Uma das questões mais importantes é a representatividade dos resultados, que dependem de séries longas e representativas, bacias com tamanhos diferentes e representatividade espacial dos condicionantes hidrológicos. Uma regionalização com uma base limitada de dados e pouca representatividade levará a resultados certamente tendenciosos. Portanto a regionalização não substitui uma boa rede e representatividade das informações.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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