Prêmio IAHS 2011

No dia 6 de julho devo receber o prêmio ¨International Hydrology Prize 2001¨da IAHS no evento da IUGG em Mlebourne na Austrália. A minha manifestação é apresentada abaixo.

¨Num domingo de maio Pierre Hubert ligou para mim de Paris e no primeiro momento entendi que estava me convidando para participar de um comitê de um prêmio, somente após sua insistência descobri que tinha recebido o importante prêmio da IAHS.
É uma honra receber este prêmio, já que sou o primeiro Latino Americano trabalhando fora dos principais países que atuam na ciência hidrológica a receber este prêmio. Eu acredito que é o resultado dos investimentos brasileiros em ciência desde os anos 80 com bilhões de dólares em bolsas e recursos para pesquisa. Eu também acredito que é o resultado de trabalhar no IPH, uma instituição de 58 anos com 43 anos de um programa de pós-graduação interdisciplinar criado com apoio da UNESCO nos anos 60, professores e alunos qualificados de vários países da América Latina. Eu tenho certeza que é também resultado da educação dos meus pais, da família que formei da qual sou orgulhoso e principalmente do apoio da minha esposa que assumiu grande parte do trabalho com os filhos e entendeu as minhas frequentes ausências.
Eu sou grato pela oportunidade de trabalhar num período de tempo de grandes mudanças no meu país, com grandes desafios a serem enfrentados, iniciando com o caos inflacionário dos anos 80 até os dias atuais onde 20 milhões atingiram a classe média em poucos anos. Neste ambiente tivemos desafios singulares em ambientes ecohidrológicos como o Pantanal, Amazônia, Cerrado, semiárido e 9 mil km de ambiente costeiro. A riqueza de um país continental fortalece minha opinião de que as ciências naturais, como a hidrologia, necessitam de desenvolvimento de conhecimento local e regional que relacionam complexas iterações do comportamento em diferentes escalas de tempo e espaço com complexidades humanas econômicas e sociais como desmatamento, urbanização, contaminação da água e do ar. Não existem ferramentas gerais, mas cada ambiente tem seu próprio DNA Hidrológico para entender se adaptar para manter uma sociedade sustentável.
Em 2001 eu tive a oportunidade de desenvolver as diretrizes estratégicas de pesquisa em recursos hídricos do Brasil e hoje estou revisando esta estratégia 10 anos depois e as principais linhas de pesquisa se basearam principalmente no desenvolvimento de ciência e Tecnologia com real visibilidade para a sociedade e discutida com decisores públicos e privados. Isto tem sido uma oportunidade para entender como a sociedade moderna é dependente do conhecimento hidrológico, que é a base para o meio ambiente, abastecimento de água, alimentos e energia, além dos eventos extremos, entre outros.
Nos próximos 40 anos o desafio mundial será o acréscimo de 3 bilhões de pessoas em cidades de países em desenvolvimento e pobres com alta demanda por recursos naturais. Hidrologia tem conhecimento que suporta soluções sustentáveis para a urbanização. Nestes países existem importante limitações no conhecimento hidrológico que leva a sociedades vulneráveis. Devido a isto é importante desenvolver esforços em capacitação para que estes países desenvolvam suas próprias soluções fora do procedimento comum de projetos externos que usualmente deixam mais dívidas do que benefícios. Eu acredito que instituições como IAHS tem a oportunidade de dar suporte a estas questões pela sua rede de pesquisadores, professionais e centros de pesquisa, considerando os recursos econômicos globais. Agradeço a IAHS por este Prêmio e a oportunidade destas dirigir estas palavras. ¨

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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