Pós-graduação em recursos hídricos

Na semana passada discutimos a eventual decisão de um graduado buscar a formação em pós-graduação na área de recursos hídricos ou começar diretamente a trabalhar no mercado. Nesta semana vamos comentar algumas escolhas da pós-graduação.

A dedicação ao programa de pós-graduação pode ser parcial ou tempo integral. O tempo parcial limita muito a capacidade de aprendizado e requer muita força de vontade, mas não é impossível, não é o caso ideal. Para dedicação integral a questão é econômica e a maioria necessita da bolsa de estudos. Geralmente os programas possuem bolsas para sua distribuição, que é definida por um processo de seleção. Os melhores programas são os que dependem apenas de um (ou mais) exame de conhecimento. Os programas que dependem de entrevistas tendem a priorizar alunos egressos da própria Universidade (prática infeliz, pois as melhores universidades mundiais tendem a não aceitar os alunos egressos da sua graduação, para que o aluno busque diversificar conhecimento). Recomendo fortemente ao aluno buscar novos conhecimentos e nunca fazer graduação, mestrado e doutorado na mesma universidade ou mesmo programa. Pode ser cômodo, mas é pouco eficiente.

Quando for procurar um programa observe as seguintes características:

•A variedade das disciplinas disponíveis quanto à abrangência em recursos hídricos. Quando mais iinterdisciplinar for o ambiente do curso, mais oportunidades de conhecimento;
•O número de professores efetivamente em tempo integral atuando em pesquisa na instituição, mesclado com professores que atuam também em estudos e projetos;
•Uma instituição com muitos professores com doutorado na própria instituição não é um bom indicador, porque reflete um excesso de endogenia, ou seja, muitos falam a mesma linguagem, quando a diversidade é importante. As conhecidas universidades em nível mundial evitam professores formados na própria instituição.
•A avaliação do curso pela CAPES é útil, mas deve ser usada com cuidado, pois alguns de seus critérios são pouco objetivos: priorizam tempo de formação de alunos o que não tem relação com a qualidade do ensino e pesquisa (isto elimina os alunos em tempo parcial); as instituições se perpetuam nos comitês avaliando indiretamente seus próprios programas; entre outros.
•Procure falar com alunos egressos do programa ou que estão atuando no mercado qual a visão que possuem dos programas que você selecionou.

Na escolha do orientador as recomendações são:

•O melhor indicador para um orientador (infelizmente não está disponível) é a proporção de alunos que concluíram a titulação em relação aos alunos que recebeu (descontado os que desistiram), no entanto um indicador indireto é a quantidade publicações recentes em revistas indexadas no Brasil e no exterior ou de prestígio (principalmente em conjunto com alunos). Muitas publicações em congressos nem sempre é um bom indicador, pois geralmente existe pouca exigência na aceitação das mesmas. No site do www.Cnpq.br procure pelo nome no Curriculum Lattes e você pode verificar os detalhes dos professores orientadores. Consulte os alunos orientados pelo professor.
•A diferença entre um graduado e um pesquisador é que para o primeiro é dado um problema para resolver e o segundo tem que definir o problema a ser resolvido, que é a parte criativa da pesquisa. Portanto, o bom orientador não é aquele que diz o que você deve fazer, mas que faz você pensar e escolher seus caminhos com suas próprias pernas. Nunca procure seu orientador para dizer “agora o que devo fazer”, pois você estará atrofiando sua capacidade criativa. Leve as alternativas e discuta as soluções, afinal a pesquisa é sua. O bom orientador é o que ajuda você tomar a decisão.

O tema de pesquisa é a fase crucial e você sempre terá dúvidas e o medo de encontrar uma pesquisa igual a sua já concluída, mas a dúvida faz parte do processo. Se você souber o resultado da sua pesquisa ela não necessita ser realizada. Evite misturar projeto específico com pesquisa. São comuns os seguintes erros:

•“Vou fazer uma pesquisa sobre a bacia do rio Central” Isto não é pesquisa, já que a simples análise de uma bacia não define objetivos e perguntas a serem respondidas sobre o tema. A bacia mencionada pode ser um estudo de caso de uma questão a ser demonstrada na pesquisa;
•“Vou fazer uma pesquisa sobre o modelo hidrológico X” Um modelo nunca é um objetivo, mas um meio. Ë possível desenvolver uma pesquisa que desenvolva um modelo para um determinado uso e caso, mas o modelo em si nunca será o objetivo.
•“Vou comparar os modelos A e B” Também não tem uma definição clara, já que a comparação entre os modelos tendem a resultados sem conclusão, apenas quando se tem um objetivo de uso bem, definido as características dos sistemas em estudo.

O tema de pesquisa geralmente vem de uma pergunta uma dúvida ou uma questão que está pouco resolvida. No futuro analisaremos as pesquisas potenciais em recursos hídricos.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

6 Comments

  1. Weeberb

    Tucci,

    novamente parabéns!!! Esses posts estão muito interessante – o que fazer após a graduação? qual programa de pós graduação escolher? como escolher o seu orientador? pesquisas potenciais em recursos hídricos (ainda não postado). Esses questionamentos estão presentes no dia dia das pessoas, por exemplo, no meu dia dia. Parabéns!

    Abraços,
    Weeberb.

  2. Ridalto Vaz

    Tucci meus parabens pelas colocações sobre as recomendações na escolha do orientador e as caracteristicas a seem levadas em conta na escolha do programa de pós-graduação.

    1. eu fis um teste vocacional e o teste deu arutiuetqra mas eu me pergunto sera que e isso mesmo que eu quero para toda minha vida, estou aida no 2ba ano eu tenho um ano ainda para me decidir assim eu espero conceguir me decidir o que eu quero da minha vida.

  3. Bernardino Salvador

    Prof. Tucci:

    Felicitaciones por su artículo que aborda un tema crucial en estudios de postgraduación, especialmente en área de recursos hídricos que me interesa.

    Esperaré con mucho interés sus siguientes artículos.

  4. ohhh postezinho do bem fieuqi meio assustado aqui na UFPI, pois o blocos formandos quase foi aniquilados por detalhes importantes de formata o e cita es de autores … hum acho que vou colocar culpa nas duas partes, uma o aluno que n o procura saber como eu estou fazendo agora ( meu tcc s come a em agosto), outro e que os professores est o super sobre carregados de disciplina a Livia B. deveria fazer os concursos para professores aqui da UFPI e perto da casa dela rsrrs. bom so sei q me ajudou muito o artigo agrade o de mont o a Livia com sua paciencia em nos trazer conhecimento @ronaldk2

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