Pesquisa e recursos hídricos II

Estruturar um programa de pesquisa em Recursos Hídricos é sempre um desafio e pode ser estruturado dentro de uma visão de pesquisa básica ou voltada para os problemas específicos da sociedade.
Em 2001 quando foi criado o Fundo de Pesquisa CTHIDRO tive o desafio de estruturar as Diretrizes estratégicas do referido Fundo. A política dos Fundos Setoriais do MCT na época era de desenvolver um mecanismo de financiamento de pesquisas tecnológicas voltadas para as demandas existentes da sociedade, representado pelo governo. No comitê gestor do fundo fazem parte instituições setoriais de governo voltadas para promover o desenvolvimento do país como os Ministérios de Energia e Meio Ambiente, representado pela ANA e a Secretaria de Recursos Hídricos.
Considerando esta ênfase institucional as diretrizes não poderiam enfocar questões puramente disciplinares de Hidrologia, Hidráulica, Qualidade da Água, Economia, Administração, etc.. Também não poderiam enfocar somente sistemas específicos como rios, lagos, reservatórios, entre outros; ou ainda setores do desenvolvimento como saneamento, energia, agricultura, entre outros, mas deveria integrar estes vários aspectos na solução dos problemas da sociedade dentro de uma visão de gestão integrada (veja figura 1). Com base nesta concepção foram geradas as linhas principais, entre elas: água e gerenciamento urbano integrado, variabilidade climática, uso e conservação dos recursos hídricos, previsão de variáveis hidrológicas, entre outros (para acessar o documento procure o site do CTHIDRO).
De forma geral as principais necessidades da sociedade são:
•Sustentabilidade hídrica: água segura, conservação dos recursos hídricos, abastecimento, tratamento de efluentes, controle de inundação e sólidos.
•Setores econômicos: Energia, agricultura e transporte;
•Meio Ambiente: conservação e controle dos impactos, uso do solo, preservação de áreas naturais;
•Gestão de risco: gestão de risco e vulnerabilidade da população e ambiente
•Amenidades: uso de recreação e preservação de valores cênicos.

Pode-se inter-relacionar os setores da sociedade, áreas de conhecimento, estrutura de planejamento e conhecimento necessário para o planejamento e projeto, como mostra a figura 2 abaixo. Desta forma, a pesquisa e as demandas da mesma estão caracterizadas. Esta ligação permite dar foco a cada conteúdo. Na pesquisa básica não é necessário ir buscar estes objetivos, pois a mesma se desenvolve dentro de limites mais estreitos que nem sempre são claros, mas que permite o desenvolvimento do conhecimento.
Nas próximas semanas vamos discutir algumas áreas de conhecimento em recursos hídricos e alguns dos desafios potenciais da pesquisa básica como: hidrologia de escala e os processos relacionados e pesquisas aplicadas e tecnológicas como regionalização de variáveis hidrológicas, integração da gestão dos recursos hídricos, entre outros.

[photopress:pesquisa21.jpg,thumb,centered]

figura 1 – Gestão de recursos hídricos

[photopress:pesquisa22.jpg,full,pp_image]

Figura 2 – Integração entre os setores para a pesquisa

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *