Mudanças climáticas: Copenhague, 2009

Esta semana em Copenhague iniciou a conferência do clima para discutir ações para redução de emissões que produzem as mudanças climáticas. Na primeira semana os profissionais (15 mil) tentam encontrar uma saída para o acordo dos países, no final semana chegam os Ministros e na semana seguinte os presidentes que buscarão assinar um acordo para o futuro.

Os cientistas nas últimas duas décadas identificaram que o aumento de CO2 e outros gases na atmosfera está aumentando o efeito estufa. O efeito estufa é o aquecimento do globo terrestre pela retenção das ondas de calor (comprimento longo) emitida pela absorção de radiação solar na superfície. Este aumento se dá pelo acréscimo destes gases na atmosfera. Na era pré industrial a concentração era de 280 ppm de CO2 na atmosfera e atualmente está em 430 ppm, mostrando um aumento significativo. Os dados mostram que a temperatura aumenta junto com o aumento de CO2.

Vários indicadores de aumento de temperatura e de seu efeito têm sido descrito com freqüência no noticiário e em publicações. Estes são indícios de que este processo está ocorrendo. Para estudar os cenários futuros foram desenvolvidos modelos (Existem diferentes formulações de modelos) que representam o globo terrestre. Estes modelos apresentam grande variação entre si e estimam variação de temperatura de 1 a 6º C, com diferentes conseqüências e também de diferentes cenários previstos para futuro considerando as emissões de CO2 pelo desenvolvimento econômico na Terra.

Os questionamentos sobre esta teoria são de que a Terra na realidade está passando por um período mais quente, como já passou no passado, quando também o CO2 aumentou com a temperatura e nada tem a haver com a emissão antrópica existente no Planeta. Nos Estados Unidos somente 30% da população acredita que esteja ocorrendo este efeito.

Os Estados Unidos não assinou o tratado de Kyoto e continua relutante em se comprometer em reduzir as emissões devido ao custo econômico que a mesma terá. A Europa se mostra mais sensível a este processo com um compromisso maior. A China e a Índia não querem se comprometer.

A emissão atual tenderá a aumentar em 20% em 2020. O acordo que se busca procura buscar reduzir em 10%. A redução de emissão de CO2 envolve vários aspectos do desenvolvimento econômico, como a energia, onde grande parte dela emite CO2 como a gasolina e o diesel, a produção de energia elétrica de carvão, a produção pecuária, pois o desmatamento com queima e o próprio gado emite CO2. Portanto não é uma tarefa simples e contraria muitos interesses.

Como tomar decisão sobre um conhecimento incompleto? A ciência mostra ainda incertezas importantes, portanto é razoável desprezar o risco? Parece que não, até porque os riscos são importantes e desnecessários. As ações de mitigação podem gerar aprimoramentos e conhecimento técnico científico nos seus desafios e melhoria ambiental.

A notícia que chega da Conferência, até este momento é de criação de um fundo de investimento para mitigar as emissões, mas também existe muita relutância dos países em se comprometerem com as metas de redução. Provavelmente Copenhague é uma primeira etapa de muitas na busca de uma convergência que provavelmente ocorrerá, sou otimista!!

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

3 Comments

  1. Weeberb

    Olá Tucci!!! Parabéns pelo post. Concordo os dois lados da história descritos de forma resumida, aqui por você (o lado dos crédulos e o lado dos céticos). Atualmente, devido algumas leituras e estudos, estou me considerando um cético em relação ao Tema Aquecimento Global. É muito interessante o seu questionamento (“Como tomar decisão sobre um conhecimento incompleto?”). Acho que alguns crédulos teriam dificuldades em resposder.

    Abç, Weeberb.

  2. Rogério Maestri

    Caro Tucci

    Vou primeiro comentar em cima do comentário, na ciência não existem crédulos somente céticos. Se não houvesse céticos ainda pensaríamos que a Terra é chata, que o Sol gira em torno da Terra. A única diferença dos céticos de hoje me dia dos da idade média, é que enquanto Galileu Galilei quase foi para a fogueira, os céticos de hoje não tens suas publicações aceitas pelos editores de jornais internacionais (vide a gangue do ClimateGate).

    Quanto ao teu texto principal vou fazer alguns pequenos comentários, primeiro, que acharias de um aluno teu que propusesse ajustar e testar um modelo hidrológico com a mesma série de dados? Pois em climatologia é o que é feito! E quando o modelo ajustado no passado não responde ao que está ocorrendo no presente, é porque o CLIMA está errado!

    Outro comentário, além do ovo e a galinha, o que vem primeiro, o aquecimento, ou o aumento de CO2, me parece que testemunhos glaciológicos até 1999 mostravam que havia um “lag” de 800 anos entre os dois. E quem vinha primeiro, adivinhes!

  3. Weeberb

    Olá!

    concordo plenamente com o comentário e os argumentos do Rogério. Eu só faria uma pequena observação em relação à existência dos crédulos, em específico, nesse tema tão polêmico – Aquecimento Global. Só pelo fato de algumas pessoas (pessoas “importantes” na ciência) se reunirem para discutirem sobre um conhecimento incompleto é uma prova que existem os crédulos.

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