Mudança ou variabilidade climática?

Na semana passada estive Maputo no Moçambique como professor num curso sobre Mudanças climáticas em recursos hídricos promovido pela Cap-net Rede de Capacitação de Recursos Hídricos do PNUD. Foi interessante conhecer Moçambique um país pobre que está procurando crescer e encontrar um grupo de alunos de países de língua portuguesa.
No curso apresentei uma lista de perguntas e respostas que ajuda a melhor compreender um pouco deste tema que está presente no noticiário e já faz parte da agenda de governos e empresas, mas que ainda possui um razoável conjunto de dúvidas.

1. O clima está mudando?
O clima sempre foi variável e deverá continuar assim. A variabilidade climática (processos naturais) é pouco conhecida e a nossa capacidade de percepção e adaptação é para a sazonalidade (mudança entre meses do ano) e entre poucos anos. Muitos dos efeitos hoje atribuídos a mudanças climática são efetivamente variabilidade climática entre anos.

2. Qual a tendência observada?
Existe um consenso que de a terra está aquecendo.

3. A causa é a emissão de gases antrópicos?Os relatórios do IPCC concluem que este aumento se deve a emissão de gases devido às atividades humanas com base em modelos e algumas evidências.

4. Existe consenso?
Existe consenso sobre o aquecimento, mas existem grupos de profissionais que questionam que a causa seja a emissão de gases. Justificam que as ferramentas (modelos) e conhecimento possuem ainda muitas limitações. Por exemplo, a variação das predições entre modelos é maior que a própria variabilidade natural do clima e dos cenários. Ao longo dos anos a posição da mudança climática tem se fortalecida

5. É possível esperar maior certeza?
Não é razoável esperar pela certeza. As ações de redução das emissões é uma precaução, mas a sociedade deve sempre buscar mais conhecimento sobre as incertezas das predições.

6. Quais são os impactos ?
Os impactos podem ser negativos e positivos e variam de acordo com a região do globo. O homem está adaptado a sazonalidade, mas muito pouco as condições interanuais. A história mostra que várias civilizações foram fortemente afetadas por mudanças de longo prazo (inter-decadais). Os principais impactos são sobre a disponibilidade de água, qualidade da água e saúde, inundações, agricultura, energia, meio ambiente, etc.

7. Como é avaliado?

 Evidências de comportamento de variáveis climáticas (temperatura, precipitação,etc) dos gases do efeito estufa;
 Prognóstico de cenários futuros de emissões de gases com modelos Globais climáticos ou modelos regionais

8. Os modelos climáticos não conseguem prever alguns dias no futuro, como podem prever até 100 anos no futuro?
Os modelos estudam cenários relativos e não valores absolutos. Os modelos atuais possuem dificuldade de reproduzir variabilidade climática observadas nos dados como os dos indicadores do Pacífico (PDO – Pacific Decadal Oscillation).

9. Todo evento climático é atribuído a mudança climática, isto é real?
Existe muito exagero neste sentido, pois a media utiliza e muitos profissionais atribuem tudo a mudanças climáticas, o que não é verdade. Isto pode ter um efeito contrário, pois está se observando um esfriamento no Pacífico nos últimos anos, que é devido a variabilidade climática, o que não significa que a mudança climática não ocorrerá, mas poderá levará a muitas pessoas a desacreditar e minar muito do esforço verdadeiro em curso.

10. Este assunto pode ser uma prioridade num país com grandes carências?
Deve complementar a agenda destes países, pois é importante analisar estas tendências no planejamento, já que podem ocorrer oportunidades importantes de obtenção e gestão de recursos que se complementam.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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