Inundações em Dhaka, Bangladesh

Cerca de uma semana atrás retornei de Dhaka, Bangladesh numa missão do Banco Mundial sobre Gestão de Águas Urbanas e mais especificamente Plano de Inundação e Drenagem Urbana de Dhaka, Bangladesh.
A cidade fica numa área sujeita a inundações com terrenos planos e com vários rios cruzando a região, onde o principal é o rio Buriganga. A cidade sempre esteve sujeita a inundações, que ocorre anualmente durante o período das monções quando chove quase toda a precipitação anual de 2000 mm.
Depois a cheia de 1988 foi construído um dique que circunda a parte densa da cidade onde vivem cerca de 6 a 7 milhões de pessoas em apenas 137 km2. Fora desta área do dique de 263 km2 vivem mais 4 milhões de pessoas em áreas sem proteção contra inundação ribeirinha. A região metropolitana tem 15 milhões de pessoas (2010). A nona cidade do mundo em população. Está previsto que em 2025 terá 25 milhões.
Dentro dos diques a população está protegia contra as inundações ribeirinhas, mas está vulnerável ao vertiginoso crescimento e alta densidade de pessoas dentro do dique que tem gerado o seguinte:
• Aumento do escoamento devido a impermeabilização;
• Redução da capacidade do escoamento devido a grande quantidade de sólidos. A cidade não possui coleta domiciliar. Cada família deve pagar prestadores de serviço que levam o lixo a containers que são depósitos secundários em pequeno número pela cidade. No entanto a cidade possui dois aterros sanitários;
• Efeitos de jusante quando não existem comportas ( as comportas são manuais) e estação de bombas para bombear o escoamento interno para fora do dique;
• Alto nível de contaminação da água devido ao esgoto que não é coletado e escoa pela drenagem.
No período chuvoso quem vive fora dos diques tem seu cotidiano interrompido por alguns meses com grande quantidade de dificuldades. Quem vive dentro também pode sofre inundações devido a falta de capacidade de bombeamento ou locais que bem mesmo existem bombeamento.
Problemas semelhantes existentes no Brasil, mas com alta densidade de população como em Dhaka, tornam-se ainda mais sérios. Também existe uma falta de manutenção em quase todos os serviços e dentro do ambiente urbanos observam-se todo tipo de prédios com fiação externa e um tráfego ensurdecedor. No entanto as pessoas não pareciam irritadas com tanto barulho e tráfego caótico, talvez estejam resignadas.
Trabalhos como estes são desafiadores, já que envolve Plano de esgoto e de drenagem, mas as dificuldades sempre residem nas condições institucionais de gestão e investimentos nos serviços.
Algumas fotos abaixo mostram alguns cenários dos sistemas hídricos e de cenas semelhantes a que encontramos em nossas cidades sem saneamento.
(*) na semana passada foi impossível postar uma matéria no blog porque depois de 29 horas de ida (PoA-SP-Dubai-Dhaka) e 31 horas de retorno (Dhaka-Dubai-Frankfurt-SP-POA) e um curso de 8 por dia em Brasília cheguei em Porto Alegre na quinta dia 24.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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