Inundações do Mississipi em 2011

Os eventos climáticos iniciados em abril estão produzindo uma das maiores inundações no rio Mississipi nos Estados Unidos, comparável a 1927 e 1993 e já representa prejuízos de vários bilhões de dólares. Uma combinação de chuvas e degelo de neve acumulada produziu grandes volumes de água na bacia do maior rio americano e atingiu pessoas e infraestrutura de 7 Estados tornando-se uma grande área de desastres naturais. O Corpo de Engenheiros Americano teve de abrir o vertedor de uma barragem, priorizando a proteção das cidades mais populosas em detrimento da várzea onde moram um número menor de pessoas.

A gestão de Inundações nos Estados Unidos desenvolve as medidas estruturais quando existe viabilidade econômica. Neste caso, o governo federal contribui com 65% dos recursos e o as pessoas locais entram com o restante. No entanto, a prioridade são as medidas não-estruturais que se baseia principalmente no seguro de inundações. No rio Mississipi, o vale de inundação é extenso e as medidas são em grande parte de seguro de inundação. Para definir a área de risco e os critérios de prêmio do seguro é realizado o mapeamento de inundação das áreas de risco. Este mapeamento é delimitado dentro da cheia de 100 anos. Para cheia de risco com tempo de retorno maior não são feitos seguros. Para tempo de retorno menor o premio varia com a probabilidade da inundação. Dentro da área de 100 anos o custo do seguro é da ordem de 0,3 % por ano para uma propriedade numa área de risco médio. Quando a inundação ocorre o proprietário é ressarcido dos prejuízos.

As estimativas iniciais de prejuízos mostram que mais de 21.000 casas valendo mais de US$ 2,2 bilhões podem ser inundadas. Deste total, 4.500 destas casas estão além do limite de 100 anos e, portanto não estão cobertos por seguro de inundação. No passado quando foi feito o zoneamento as pessoas não desejavam ver sua propriedade ser classificada dentro da área de 100 anos porque poderia perder valor econômico ou desestimular construções devido ao potencial risco e ter de pagar seguro de inundação. Nunca houve pessoas reclamando por não serem incluídas no programa de seguro, mas agora quem ficou fora da área de inundação não terá seus prejuízos cobertos, pois não estão pagaram o premio e não estão no programa de seguros. Certamente existirão conflitos judiciais, já que provavelmente muitas das propriedades não seriam inundadas se o vertedor não fosse aberto devido às escolhas realizadas na operação das comportas na gestão de inundação.

No Brasil como não existem medidas de controle de inundações, as pessoas quando ocupam os locais de risco fazem suas escolhas. No entanto, quando o país tiver um pouco mais de responsabilidade e desenvolver um programa de gestão de inundações, estes exemplos serão úteis para evitar conflitos.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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