Indicadores climáticos: North Atlantic Oscillation

Existem alguns indicadores climáticos que permitem analisar tendência do tempo de períodos longos. Em semanas anteriores mencionamos o ENSO que é o indicador relacionado com o El Nino e nesta semana vamos comentar o NAO North Atlantic Oscillation, que indica a tendência das condições do Norte do Oceano Atlântico. Este indicador esta relacionado com a tendência de fluxo na atmosfera que pode levar mais umidade para Europa, Àfrica e América do Sul. Na América do Sul, parte importante do fluxo de baixa altitude é proveniente do Atlântico Norte e flui na direção da Amazônia e se desloca para o Sul devido aos Andes, criando condições de umidade no Centro Oeste, Sul e Sudeste do Brasil em conjunto com outros processos meteorológicos.

Quando o NAO é positivo existe tendência de fluxo proveniente da América do Norte no sentido do Norte da Europa, enquanto que quando é negativo observa-se que este fluxo entra pelo mediterrâneo.

Na figura 1 abaixo pode-se observar a variação deste indicador ao longo de muitas décadas. Observa-se por um período longo se manteve negativo (final da década 50 a 1973), depois tem passado um período longo positivo, até recentemente. As vazões dos rios mostram estas mesmas condições em rios do Sul, Sudeste e Centro- Oeste do Brasil, que tiveram um período anterior ao início dos anos 1970 mais seco e período mais úmido depois deste período. Da mesma forma na África Sub-Ariana se observam período mais seco depois de 1970 em contraposição a América do Sul. Na figura 2 pode-se observar os níveis do rio Paraguai em Ladario. Pode-se observar que existe uma tendência entra estas curvas. Isto pode ser observado também quando se observa a série dos níveis do Lago Vitória na África (figura 3).
Atualmente o NÃO está negativo desde 2009, com tendência de aumentar para a fase positiva até janeiro (figura 4). Estes elementos devem ser vistos como conexões climáticas, mas evidentemente que o clima é mais complexos e vários outros fatores se inter-relacionam para definir a condição climática no tempo num determinado lugar. A observação e a previsão dos mesmos poderiam prevenir situações desfavoráveis.

A análise de tendências de interdecadais do clima é fundamental para a gestão dos recursos hídricos e da sustentabilidade em vários setores como agricultura, energia e transporte. Uma seca do rio Paraguai como ocorreu na década de 60 pode aumentar de forma substancial os custos de transporte pela navegação. O retorno de vazões como anterior as anteriores a 1970 pode levar a redução da água para energia, deplecionando os reservatórios. A repetição da seca de 1942 a 1952 que ocorreu no Rio Grande do Sul pode comprometer a agricultura de sequeiro, entre outros efeitos.

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figura 1 variabilidade do indicador do NAO

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figura 2 Níveis do rio Paraguai em Ladario

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Figura 3 niveis do Lago Vitória

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Figura 4 Previsão do NAO

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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