Gases do efeito estufa (GHG) em reservatórios tropicais

Nos últimos anos tem sido observada uma controvérsia sobre a quantificação da emissão de gases de efeito estufa (GHG) em reservatórios de regiões tropicais, principalmente para energia.
O gás metano (CH4) gerado pela implementação do reservatório pode ir para a atmosfera principalmente pela sua superfície (por difusão) ou quando atravessa as turbinas à jusante. O metano possui efeito de magnitude muito superior ao do Dióxido de Carbono CO2 quanto às mudanças climáticas. Alguns resultados de pesquisadores brasileiros, americanos e franceses em reservatórios da Amazônia brasileira e da Guiana apresentaram valores importantes. Existem questionamentos a estes resultados quanto ao seguinte: (a) metodologia de medidas; (b) representatividade dos resultados, já que os reservatórios escolhidos eram os de piores condições características, como Balbina (alto tempo para renovação do seu volume e grande área de inundação), próximo a Manaus. Estes dados foram utilizados para extrapolações o que pode levar a conclusões apressadas.
No final de 2006 foi realizada uma reunião em Paris onde se concluiu pela necessidade de mais pesquisas para entendimento dos processos e melhoria das estimativas de parâmetros e indicadores. No ano passado em outubro, foi realizado um workshop em Foz de Iguaçu com pesquisadores, representantes do setor energético, de governo. indústria, de entidades internacionais como Banco Mundial e Unesco.Neste evento foi criado um grupo de trabalho representativo (no qual fui indicado como coordenador) para preparar um relatório que defina um programa de pesquisa com vários atores nas regiões tropicais usando uma amostra representativa de reservatório, onde seriam realizadas medidas que permitissem avaliar o impacto dos mesmos quanto aos gases do efeito estufa.
O grupo produziu um relatório que foi consolidado e discutido em Paris no início de janeiro de 2008. Com base nesta discussão, o relatório atualizado foi submetido ao grupo de trabalho e aos participantes do evento e outros interessados para comentários até dia 5 de março de 2008 (veja como acessar ao relatório e fazer seus comentários). Depois de incorporadas as sugestões e finalizado o relatório, será apresenta uma proposta de desenvolvimento da pesquisa que será encaminhada a potenciais financiadores brasileiros, entidades internacionais e de empresas para desenvolvimento de um programa num período de 2 – 3 anos, tendo como base o seguinte: (a) critérios de medidas e representatividade temporal e espacial dos processos nos reservatórios; (b) indicadores dos reservatórios que permitam estimar os impactos: (c) modelos preditivos que permitam fazer as escolhas adequadas de novos empreendimentos e; (d) medidas de mitigação para os reservatórios existentes.
Estes resultados permitirão consolidar com base sólida o conhecimento sobre o assunto e a tomada de decisão sobre empreendimentos existentes e novos.

Relatório do grupo de trabalho entre em http://rhama.net/wgghgstatus.pdf
Formulário para comentários entre em http://rhama.net/comentsformsghg.xls

comentários para melack@mail.lifesci.ucsb.edu e cópia para: ah@hydropower.org and rmt@hydropower.org

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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