Entrevista com prof. Cirilo sobre CT-Hidro

O prof. José Almir Cirilo é engenheiro Civil pela Universidade Federal de Pernambuco, Mestre e Doutor pela COPPE Universidade Federal do Rio de Janeiro). Atualmente é professor da Universidade Federal de Pernambuco, presidente do Comitê Gestor do CTHIDRO-Fundo Setorial de Recursos Hídricos do Ministério de Ciência e Tecnologia e Secretário Executivo de Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco e ex-Presidente da ABRH.

Tucci: 1 : Depois de sete anos quais os principais resultados em inovação e pesquisadores obtidos pelo investimento do CThidro? Fez alguma diferença?

Cirilo: Está fazendo a diferença. No que se refere aos pesquisadores e aos grupos de pesquisa, lembremo-nos das dificuldades que viviam, por exemplo, os programas de pós-graduação, a dificuldade de dar suporte aos estudantes, tanto na questão de bolsas quanto no suporte dos experimentos. Hoje vemos em todo o país os grupos tocando muitas pesquisas, alunos envolvidos nos projetos. O primeiro resultado concreto que se vê é a formação de recursos humanos: em um momento importante da retomada dos investimentos do país no setor de recursos hídricos e de saneamento começamos a ter melhoria da mão de obra qualificada. No que se refere à inovação a resposta ainda é tímida: buscamos investir, por exemplo, no desenvolvimento de novos dispositivos de monitoramento, de dessalinização, mas precisamos aguardar os resultados. Acreditamos que esteja havendo um novo processo de transferência de tecnologia, como no caso de avanços nos instrumentos de gestão para os organismos gestores. Mas há muito a caminhar.

Tucci: 2 O CThidro quando foi criado tinha com um dos princípios de investir em demandas (pesquisas) do Estado que atendessem a sociedade e não de pesquisadores, evitando pulverizar recursos. Até que ponto isto tem sido aplicado nos investimentos?

Cirilo: Temos procurado ouvir os pesquisadores, fazendo prospecções, porém integrando nesse processo pessoas que tenham a visão do outro lado, daquilo que se espera que a ciência produza com retorno mais efetivo e imediato para a sociedade. Como você bem sabe, pois praticamente criou o CThidro, o início foi marcado por um investimento difuso, em função da demanda reprimida e da abrangência do tema: a questão da água permeia um grande leque de ciências e aplicações. Por outro lado, temos priorizado a pesquisa induzida, onde buscamos direcionar o rumo das ações para temas relevantes. Apenas dois entre muitos exemplos de indução: 1 – os diversos editais voltados à gestão, pela necessidade de aperfeiçoar os mecanismos e consolidar o setor dos recursos hídricos do país; 2 – as chamadas para assuntos essenciais, como os estudos para resolver o problema das cianobactérias nos reservatórios de abastecimento de água, um problema crônico em todo o mundo.

Tucci: 3 – Parte do semi-árido fica em Pernambuco. Quais os resultados possíveis de se obter no seu período de secretário, que façam a diferença para a população?

Cirilo: Se você se refere aos resultados que nos traz o CThidro, cito, em primeiro lugar, a formação de quadros. Nossas secretarias, no Nordeste e em todo o país, começam a ter bom número de mestres e doutores em recursos hídricos. Estamos contratando 37 engenheiros e boa parte deles tem pós-graduação na área. Em inovação, começamos a incorporar produtos importantes desenvolvidos com o apoio do Fundo, como ferramentas de Suporte à Decisão, avaliação de tecnologias alternativas relacionadas à captação de água de chuva, reuso das águas, dessalinização. Se por outro lado você se refere às nossas ações da Secretaria como um todo, aí somos muito ambiciosos, como pernambucanos que se prezam: estamos estruturando a universalização dos serviços de água e esgoto para todas as nossas cidades e principais aglomerados rurais, além da questão de água para o desenvolvimento do setor produtivo. Pernambuco começa a ter canteiros de obras hídricas por todo lado. Só que não é ação para um só governo: preparamos um plano de 12 anos para essa universalização, que inclui naturalmente a gestão dos empreendimentos, redução das perdas, revitalização de nossas bacias hidrográficas, participação social, etc. É um esforço enorme para mudar o quadro de décadas de sofrimento da população, principalmente a que reside no semi-árido.

Tucci: 4 – Presidente do comitê do CThidro, secretário de governo e nas horas vagas professor. Você inventou o multi-processador pessoal?

Cirilo: Às vezes bate um cansaço danado, mas tento fazer tudo com muito entusiasmo. Os 10 “desorientados” de doutorado que ainda tenho reclamam à beça pelo pouco tempo que disponho para eles; assim, quando tenho que ir ao sertão do São Francisco para acompanhar as ações do governo se possível levo junto alunos, da graduação, de mestrado, de doutorado (neste último final de semana de janeiro estive com eles no canteiro de obras da transposição do São Francisco, naturalmente promovendo as devidas discussões que o tema requer). Uma forma de agir é buscar integrar tudo: juntar um congresso do semi-árido de diversos países com oficinas de avaliação dos projetos do CThidro, levar até lá os membros dos comitês de bacia, os alunos da universidade, os técnicos da secretaria, gestores de recursos hídricos da região, etc. Tudo vai gerando integração e espero que renda bons frutos.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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