Efeito Nimby na conferência do clima

NIMBY é uma expressão americana que sintetiza “not in my back yard” (não na minha área), uma reação de uma parte da população as ações públicas sobre suas áreas de seu interesse. Todos desejam controle ambiental, infra-estrutura e o que há de apelo público desde que não atinja seu interesse específico.
Parece ter sido este efeito que se viu esta semana na COP15 de Copenhague que tratou de buscar um acordo sobre a redução da emissão de gases que produzem o efeito estufa. Todos desejam controlar as emissões no país dos outros, menos no seu. Isto resultou num tímido acordo sem muitas responsabilidades futuras, sobre uma meta mundial de não aumentar mais de 2º C. Ou seja, todos sabem o desejado, mas cada país busca que o outro faça a redução e poucos desejam cumprir a sua parte, apesar dos discursos.
Além disso, foi possível interpretar que no estágio atual das negociações as dificuldades residem no seguinte:

(a)A maioria dos países apresentou o que já estava na sua agenda de investimento e ação do país, apenas remodelado para parecer ambientalmente adequado, como o caso do Brasil que mencionou vários bilhões de reais que estavam na sua agenda econômica, principalmente em energia hidrelétrica.
(b)Nos Estados Unidos que vinha sendo o maior emissor (passado pela China recentemente), não existe apoio popular a idéia de controlar a emissão dos gases, já que apenas 30% da população acreditam que o aquecimento é devido a causas antrópicas. Isto enfraquece o presidente Obama e fortalece os republicanos no Congresso para impedir medidas legais de controle. Como consequência os representantes americanos não tinham mandato para negociar;
(c)Os países em desenvolvimento como a China que agora se torna um grande emissor não pretende controle interno sobre suas emissões, já que isto representa interferência e pode também ser visto como um meio de espionagem técnica e industrial;
(d)Os países pobres vêm este tema como mais um fundo de apoio que suporte sua economia e procuram pressionar para buscar mais ajuda além da tradicional da cooperação internacional. Neste processo, o foco é perdido na busca de dinheiro e não de soluções efetivas, que passam pelos recursos, mas requer mudanças de procedimentos;
(e)A crise financeira mundial que iniciou em setembro de 2008 fez com que os países tivessem que usar a maioria dos recursos para aumentar a quantidade de dinheiro no mercado para manter o financiamento e evitar o pior. Isto comprometeu e endividou principalmente os países desenvolvidos como Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Itália e atualmente existe um risco de insolvência de países como passou com a Islândia e países do Leste Europeu. Este cenário enfraquece a criação de medidas econômica de apoio a esta causa. Exemplo disto foi a timidez do valor utilizado para criar um fundo de apenas US$ 10 Bilhões, quando a crise econômica representou 5% do PIB Mundial !.

Tudo isto era esperado, portanto não existem surpresas, a questão continuará e a pressão e interesse público é que faz a diferença, pois os decisores estão atentos a opinião de seus eleitores. Em Bonn daqui seis meses e Cidade do México em um ano os decisores continuarão a receber pressões. Este é o processo que poderá levar a medidas mais objetivas no futuro, continuo otimista!!

(*) A questão da incerteza relativa ao efeito antrópico sobre o clima é assunto que vou explorar no futuro neste espaço, já que existe uma legião de profissionais que têm dúvida sobre o real efeito da emissão dois gases.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *