Desafios institucionais em drenagem urbana I

Nas duas últimas semanas tivemos em Porto Alegre um curso na forma de workshop com professores europeus (Holanda, Inglaterra) sobre WATER SCAPES planejamento do espaço urbano considerando a resiliência a inundação e na semana passada o ICUD, evento Internacional em Drenagem Urbana e foi possível trocar muita experiência sobre o assunto. Vários dos problemas são comuns a todos os países e todos concordam que o principal problema são os condicionantes institucionais. Na quarta – feira num workshop dentro do evento patrocinado pela Unesco apresentei a visão dos aspectos institucionais no Brasil.

Nesta e nas próximas semanas vou analisar esta questão tratando dos temas abordados. Nesta semana vamos discutir um pouco do histórico do que desenvolvemos. Nas semanas seguintes comentarei sobre a gestão da integrada das bacias e das cidades e dentro da cidade da drenagem urbana, dos aspectos institucionais da legislação e gestão dentro da cidade e sua recuperação de custo. Alguns destes temas foram de alguma forma analisados neste blog.

Na década de 70 no IPH (1978-1982) iniciamos a pesquisar sobre drenagem urbana sob a influência da cooperação com a Colorado State University e a criação do DEP Departamento de Esgotos Pluviais. Foi previsto um projeto de monitoramento com 14 pluviógrafos e 11 linígrafos que funcionou por 4 anos com dados de excelente qualidade. As curvas –chave foram determinadas com base em plantão e espera da chuva devido ao reduzido tempo de concentração das bacias. Estes dados permitiram um razoável conhecimento e foram utilizados por muitos anos de pesquisa. O Brasil era pobre em publicações no setor. Em 1981 no Congresso de Fortaleza de Recursos Hídricos tiveram apenas 3 publicações sobre hidrologia urbana. A drenagem era realizada somente por canalização e impermeabilização do solo, de forma muito destrutiva (que infelizmente continua com um grande número de profissionais desatualizados).

Na década de 80 foi lançado a concorrência para canalização do Tietê, nesta época somente se pensava em canalizar. No entanto, conseguimos evoluir em alguns aspectos quanto a previsão em função da urbanização. Começamos a desenvolver a relação entre área impermeável e densidade, com dados da Região Metropolitana de São Paulo. No entanto, a mudança ocorreu em 1989 quando foi projetada a detenção do Pacaembu (chamada de piscinão) principalmente por falta de alternativas. Isto convenceu o Estado que era possível buscar outra alternativa além de canalizar.

Em 1999 – 2000 iniciamos o primeiro Plano de Drenagem Urbana (que pode ser chamado de Plano), pois considerava as medidas não-estruturais e medidas estruturais e estruturava uma gestão para toda a cidade que estavam vivenciando os seu sucesso, que vou comentar em outras semanas.

Nesta década de 90 foram realizados Planos de outras cidades como Caxias do Sul (que nunca foi implementado), da Região Metropolitana de Curitiba que também não foi internalizado, Plano Nacional de Águas Pluviais preparado em 2005, mas também não foi utilizado. No entanto, recentemente em Campo Grande e principalmente em Brasília se observam resultados. Apesar de frustrante ver que muitos destes estudos não chegam a um resultado é possível ver uma evolução na Universidade onde é comum nas boas universidades o ensino adequado da drenagem urbana. Nesta década criei uma disciplina eletiva de Gerenciamento a Drenagem urbana para engenheiros e arquitetos e preparei um curso para gestores que praticamente foi oferecido para quase 2 mil alunos em muitas cidades da América do Sul e agora deverá ter a primeira turma a nível mundial em Porto Alegre oferecido pela OMM e Capnet em novembro próximo.

Porque será que é tão difícil que engenheiros aprendam a fazer uma drenagem adequada e continuem a destruir as cidades? Você sabe a resposta? mande a sua opinião.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

5 Comments

  1. Diane Ceolin

    Olá Professor.
    Moro em Campo Grande/MS sou estudante de Engenharia Sanitária e Ambiental. Estou elaborando um TCC, que pretende obter como resultado a contribuição na vazão máxima ou de pico de uma bacia hidrográfica por parte de um empreendimento totalmente impermeabilizado, ou seja, calcular o quanto esse empreendimento contribui, com sua área impermeável, no aumento da vazão da bacia hidrográfica e analisar, posteriormente, essa contribuição com a utilização de um reservatório de detenção.
    Gostaria de saber quais de seus livros melhor se adequa a essa proposta e onde encontrar as infomações, fornecidas neste post, de como era e como é (atualmente) o pensamento com relação a drenagem urbana no Brasil.
    Desde já agradeço.

    1. admin

      Diane

      Nos livros Drenagem Urbana e Hidrologia existem capítulos relacionados com o assunto. Geralmente para pequenas áreas você pode utilizar o método racional com explicado no capítulo 13 do livro de Hidrologia ou capítulo 3 de Drenagem Urbana. Neste caso entre os dois cenários vão se alterar o coeficiente de escoamento e o tempo de concentração, resultando numa vazão maior para jusante e para as áreas públicas. O que os Planos de Drenagem devem evitar é que este aumento de vazão seja transferido para a drenagem público. Devido a isto que Porto Alegre, Campo Grande e Brasilia possuem regulação para que fiquem limitadas as vazões anteriores (naturais). O que não ocorre para outras cidades, onde o custo do impacto é transferido para o município e no final para todos os contribuintes. Outro livro que pode ser útil é : Inundações Urbanas que publiquei em 2007.

    1. admin

      é uma pergunta genérica, pois na realidade não temos um programa de curso. O curso que tenho dado são contratados por turma.

      Lamento a demora em responder porque não conseguia acessar o blog porque não tinha a senha.

  2. grasiela costa

    Olá boa tarde tudo bom?
    Venho pedir uma ajuda em meu TCC, e se tudo der certo, poderá ser uma tese de mestrado, estou querendo fazer sobre microdrenagem urbana com utilização de pneus inservíveis.
    Esse é um tema que escolhe, de forma utilizar os pneus de modo sustentável.
    Eu estou lendo seus artigos , será que poderia me ajudar ,quais livros e artigos eu conseguiria encontrar tais métodos de microdrenagem que poderia me ajudar?
    desde já agradeço sua atenção!

    Você necessita elaborar melhor a sua pesquisa para que eu possa ajudá-la. Faça as perguntas que deseja responder e identifique os meios paa respondê-la. Quando tiver algo mais específico me envie que vejo no que posso ajudá-la

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