Custos dos desastres naturais

No ano passado os desastres naturais como Tsunami no Japão, inundações no Brasil e Tailândia cobraram um preço econômico alto, além do social, representando prejuízos importantes para indústria japonesa que teve perda de fornecedores no próprio Japão e de plantas na Tailândia, além de outras indústrias.
A revista The Economist, no seu número de 14 de janeiro deste ano mostrou alguns dados que dão a magnitude destes prejuízos para diferentes tipos de desastres naturais. Alguns dos maiores desastres foram: (a) China, 1998 42 bilhões de dólares e 4.159 mortes; (b) Tsunami do Japão 2011, 210 bilhões de prejuízos e 15.840 mortes; (c) USA, Katrina em 2005, 144 bilhões e 1.322 mortes. Os prejuízos das inundações na Tailândia foram de US$ 40 bilhões. Segundo Munich Re (citado no artigo acima) avalia um total de prejuízos de US$ 378 bilhões para 2011, mas representa uma parte pequena do PIB Mundial (da ordem de 50 a 60 trilhões), mas geralmente a riqueza está concentrada nos países desenvolvidos e os prejuízos nos mais pobres e vulneráveis. Para os Estados Unidos o prejuízo de Katrina, o maior da sua história, representou 1% do PIB.
Antes que você imagine que estes prejuízos são devido ao efeito estufa, deve-se considerar que a população está aumentando e ocupando áreas de riscos. Estes eventos estão relacionados com variabilidade natural, podendo ter algum componente de mudança climática, mas não os modelos não mostram confiabilidade para prever estas alterações.
O referido artigo menciona que descontando os casos excepcionais como o do Haiti de 2010 e Bangladesh de 1970 e ajustando para o crescimento da população, a tendência de mortes tem declinado com o tempo. No entanto, destaca que os prejuízos econômicos e sociais estão aumentando pela localização de população e atividade econômica em áreas de risco. Exemplifica que o furação de 1926 na Florida que custou 1 bilhão de dólares a valor presente, custaria hoje 188 bilhões. Portanto os prejuízos estão crescendo mais do que o PIB dos países. Destaca também que com o crescimento urbano, em 2070, 9% do PIB mundial estará exposto à inundação (impacto econômico). A população urbana exposta à inundação chegará em 2050 a 16%, quando a população mundial será 70% urbana.
Com a tendência de ocupação das áreas de risco é necessário desenvolver medidas preventivas, minimizar a ocupação destas áreas e desenvolver resiliência quando os eventos extremos ocorrem. As pessoas tendem a desprezar os eventos extremos e ocupar as áreas de risco. Isto reflete a famosa avaliação de risco das pessoas: ¨comigo não acontecerá¨.
A resiliência passa por várias medidas como, por exemplo: Os holandeses estão desenvolvendo as casas flutuantes, como as palafitas da Amazônia, mas com mais complexidade; ocupar áreas de risco com verticalização com espaços verdes e aterros nas áreas de uso; prever sistema de vedação e refluxo das instalações; sistema de previsão alerta; diques que possam inundar outras áreas para aliviar, entre outras medidas.
Gestão de risco é sempre uma questão de quanto risco estamos dispostos a assumir. Todos os dias quando saímos de casa no trânsito, no avião, ao atravessar uma rua, estamos assumindo riscos. No caso de inundação, como é um evento menos frequente tem-se a tendência de desprezar o risco, ficando alerta quando ocorrem grandes eventos. No entanto, em projetos comerciais e industriais pode levar a falência uma empresa pela má escolha ou economia inadequada quanto aos riscos.
Recentemente avaliei uma proposta de área de loteamento, onde o risco da casa ser destruída a cada 10 anos era superior a 80%. Você assumiria este risco? Portanto, quando envolvem inundações geralmente o menor custo será não ocupar a área de risco. É lamentável que praticamente 100% das cidades brasileiras não possuam mapas de risco e zoneamento das áreas de inundação no seu Plano Diretor Urbano. Isto poderia direcionar a cidade para locais seguros e mitigar futuros eventos.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

One Comment

  1. Mário Sidinei Pinto

    Estes custos tem aumentado significadamente ao decorrer dos anos, isso deve-se principalmente ao aumento populacional com ocupação em áreas de risco, ainda que hoje existam mais recursos para minimizar os estragos por desastres naturais, a falta de planejamento na construção das cidades, o desprezo aos riscos, tem contribuído para grandes prejuízos para a população e aos cofres públicos.

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