Conferência do clima de Cancun

Nesta semana foi concluída a conferência do clima de Cancun dentro do processo internacional de desenvolver acordos para buscar mitigar os impactos devido às mudanças climáticas. As conclusões sobre a mesma, nos meios de comunicações, têm sido simplistas onde se resume em sucesso ou fracasso. No entanto, este é um processo de médio e longo prazo de negociação sobre a limitação das emissões de gases de efeito estufa.
Como se sabe, o acréscimo destes gases é entendido como o causador do aquecimento e alteração do clima que tem sido observado nos últimos anos e se prevê para o futuro o agravamento destes efeitos. Ainda existem questionamentos sobre a efetiva avaliação por parte dos modelos sobre estes efeitos, mas não é possível buscar certeza absoluta para que medidas sejam tomadas.
O acordo de Kyoto previa a redução ou manutenção emissões, que foi assinado somente por alguns países. Este acordo, na sua primeira fase se esgota em 2012, sem grandes poluidores como Estados Unidos e China não terem assumidos metas efetivas.
As propostas efetivas que saíram da Conferência de Cancun se basearam em: (a) criação de um Fundo Verde com promessas (!!) de US$ 100 bilhões para 2020, com ajuda imediata de US$ 30 bilhões (mas ninguém abriu a carteira ainda). (b) o Banco Mundial deve gerir provisoriamente o Fundo; (c) estabelece um grande conselho igualitário entre países desenvolvidos e, em desenvolvimento; (d) cria um centro de tecnológico climático e uma rede para promover o conhecimento internacional sobre o assunto. Este fundo tem a finalidade de ajudar os países mais pobres nesta tarefa de redução das emissões.
Estes são processos, não metas efetivas sobre a redução de emissões. Sobre isto a Conferência sugere (!!) (a) redução de 25 a 40% para os países desenvolvidos para 2020 em comparação as emissões de 1999; (b) Também enfatiza na necessidade de desenvolver novos mecanismos para ajudar os países em desenvolvimento em limitar suas emissões, assunto que deverá o tema da conferência do próximo ano em Durbam na África do Sul; (c) Entre 2013 e 2015, acontecerá uma revisão das metas de longo prazo da redução de emissões de CO2 no mundo inteiro; (d) os países emergentes como Brasil, China, Ìndia devem divulgar relatórios de inventários da emissão de gases e ações para redução a cada dois anos. Não representam relatórios com cobrança efetiva, mas de acompanhamento.
A boa notícia tem sido a redução das emissões devido ao desmatamento que tem sido constatado em quase todo o mundo, além de fundos e metas definidas na conferência para este tipo de ação. Na realidade os últimos anos foram pouco produtivos quanto as metas, devido a crise econômica, reduzindo o potencial de avanço nas metas, além da estabilidade do preço das commodities energéticas poluidoras. Quando o preço destas commodities aumenta muito existe potencial para desenvolvimento de novas tecnologias e inovação, onde reside a principal esperança futuro de um mundo mais limpo e sustentável. Estas conferências tem sido um processo, que no momento está patinando, mas pelo menos existe e espera-se que possa gradualmente convergir para metas mais concretas, antes que seja tarde.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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