Cidades verdes

Você já observou o centro das cidades brasileiras com olhar de quem deseja saber por onde a água pode escoar? Quando caminhar pela cidade veja por onde você acha que a chuva pode escoar além dos drenos e condutos. Praticamente toda a água escoa direto para os drenos e não infiltra. Existe uma parcela inicial da chuva que fica retida em depressões e áreas que retém umidade, mas em períodos sequenciais de chuva praticamente tudo gera escoamento superficial.

Desta forma, no período seco não existe escoamento, pois não há recarga para o aquífero e o escoamento que existe é apenas de esgoto não coletado. A recarga em parte é suprida pelas perdas da rede de distribuição de água. A média brasileira é de 40% de perdas. Portanto, se não fosse a ineficiência do saneamento não teríamos recarga e os rios seriam secos, já que toda a água escoa pela superfície.

Além disso, as superfícies de concreto tendem a aquecer muito mais o ambiente no verão, muito mais crítico em climas tropicais, trazendo um forte desconforto térmico à população. As cidades vão se tornando um ambiente inadequado de qualidade de vida, com poluição da emissão de gases dos veículos, aquecimento e inundações. Isto é ainda mais crítico na medida em que o transporte e a ocupação com maior número de pessoas acelera o processo de impermeabilização, uso de concreto pelo aumento de pessoas circulando em áreas urbanas. A saúde também é afetada pelo aumento de pessoas que transmitem doenças e contaminação adquirida em ambiente não saneado, aumentando a probalidade de proliferação de doenças.

Nos últimos anos existe uma tendência em alguns países de recuperação das áreas verdes dos ambientes e da recarga dos aquíferos e redução da temperatura urbana pela introdução na paisagem urbana de vegetação em passeios, cobertura de edifícios e pavimentos permeáveis, entre outros. Esta é uma reação a perda de qualidade de vida e recuperação dos condicionantes das amenidades contra o excesso de concreto e eliminação da vegetação, evitando transformar a cidade num inferno urbano. Estes cenários podem ser observados nos Estados Unidos, em parte da Europa e Austrália, principalmente em condomínios e parte das cidades, dentro de uma visão sustentável urbana. Busca-se em cada espaço urbano encontrar locais para recuperar o verde, a reurbanização sustentável dentro de uma visão de aumento do espaço verde. Este processo tem ônus e custo para cidade em manutenção, mas nada é de graça, afinal o imposto também deve ser utilizado em benefício da coletividade.

A tendência atual de urbanização de concentração de pessoas em pequeno espaço é como comprar um ¨ticket para o inferno¨ sem que tenhamos consciência do efeito nocivo a médio e longo prazo para a saúde. Isto é como a reação do sapo. Quando colocado sobre uma superfície quente ele pula e foge, mas quando colocado sobre uma superfície fria que se aquece lentamente, ele morre, mas não sai.

A busca de melhoria urbana não passa apenas por um tipo de profissional, mas é um entendimento integrado que envolve planejadores urbanos, engenheiros de transporte, de saneamento como um todo e de meio ambiente, além de profissionais de saúde, biologia, geografia, geologia, entre outros. A cidade deve mudar buscar mudar a sua cor de cinza para verde ou pelo menos a combinação destes para a saúde de todos.

Veja abaixo algumas imagens. Para obter mais, pesquise no google com ¨green streets¨
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About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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