Cidades e o limite da disponibilidade de água

Tem sido observado um grande crescimento populacional de áreas urbanas nos países desenvolvidos e agora nos países em desenvolvimento. Este processo de um grande número de pessoas em pequeno espaço produz grande demanda dos recursos naturais como tem sido abordado extensamente neste blog ao longo do tempo.
A água é um dos principais elementos de sustentabilidade deste ambiente e de qualidade de vida. Muitas cidades perderam suas fontes com a falta de tratamento dos seus próprios efluentes enquanto que outras fizeram a lição de casa e se tornaram exemplos de sustentabilidade como Nova York. Em 1994 a cidade trocou um novo sistema de abastecimento pela redução de consumo num programa subsidiado de troca de vasos sanitários no qual reduziu o consumo de água em cerca de 20%. Nos anos que se seguiram procurou proteger as suas áreas de mananciais com um programa diversificado de compra de áreas da bacia hidrográfica ou negociando com o proprietário das terras um pagamento para que a mesma nunca fosse urbanizada. Este pagamento chegou a 50% do valor da propriedade. Com isto a fonte foi preservada e a água usa pouca química para se manter potável.
Este exemplo não é muito frequente e grandes cidades padecem da escassez quantitativa ou qualitativa. A escassez quantitativa é quando apesar de uso racional a água não é suficiente para atender a demanda e qualittaiva quando se dispõe de água, mas está contaminada.. Soluções inovadoras têm sido obtida por cidades como Cingapura que com sua riqueza e eficiência está buscando um manancial infinito na água do mar usando dessalinização. O problema da dessalinização é o custo de energia. No tradicional método de destilar a água (a água é aquecida e o vapor é condensado) é usado 10kwh por litro de água. No método por osmose reversa ( a água passa por filtros que retém o sal) o consumo é de 4 kwh por litro de água. Em reportagem desta semana da revista Economist é descrito um método novo em desenvolvimento pela Siemens em escala piloto e de demonstração para Cingapura baseado na eletrodiálise que deve consumir 1,8 kvw por litro, podendo chegar a 1,5 kwh. Em Perth na Austrália já existe um sistema de abastecimento baseado em dessalinização com 3 m3/s. A cidade de Los Angeles reusa cerca de 20% da sua água. O esgoto é tratado e retirada todas as impurezas. Depois disto a água retorna para o sistema sendo injetado no aquífero de onde é bombeado e tratado para abastecimento da cidade.
A cidade de São Paulo está no seu limite de abastecimento de água e nos últimos anos não conseguiu aumentar a sua disponibilidade, apenas em 2001 incrementou em 4 m3/s a oferta de água com a conexão da Billings (muito poluída com o esgoto do rio Pinheiros e áreas limítrofes) com o reservatório de Guarapiranga. O processo para garantir a disponibilidade tem sido em redução a demanda e as perdas físicas na rede de abastecimento, além de algum reuso industrial.
A população cada vez mais se sente insegura com a água que chega na sua casa, principalmente para beber. Isto tem se refletido no grande comércio de água mineral.
O acelerado processo de urbanização necessita da inventividade tecnológica para buscar solução para este limite físico da disponibilidade de água em grandes concentrações urbanas. Reuso, dessalinização e tratamento eficiente de efluentes e avanço tecnológicos relacionados com a nanotecnologia podem permitir no futuro soluções técnicas econômicas, além do método de não contaminar mananciais. Muito deve ser feito nesta linha, considerando que no final do ano seremos 7 bilhões de pessoas e crescendo,,.

O blog sofreu alterações devido a imposição do provedor Locaweb em utilizar um novo sistema. Com isto perdemos a contagem de entradas no blog, que ainda não tive tempo de reativar.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *