Avaliação ambiental integrada e estratégica

O processo de licenciamento ambiental nasceu dentro do escopo das leis ambientais, com o objetivo de controlar e minimizar os impactos sobre os ecossistemas. Este processo se baseia na avaliação ambiental, que é realizada por meio do chamado EIA – RIMA, sigla de Estudos de Impactos e Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, respectivamente. O primeiro é abrangente e deve contemplar todos os aspectos técnicos e o segundo deve traduzir os elementos técnicos em linguagem para a população, permitindo a sua participação nas sessões públicas. Este tipo de documento orienta as diferentes licenças quanto a viabilidade do empreendimento na Licença prévia, início da construção e depois a operação com a licença de operação. Este figurino ainda pode ser complementado por documentos e estudos específicos que subsidiem nas diferentes fases de um empreendimento.
Com o acelerado desenvolvimento observou-se que a avaliação de projetos individuais não capta o efeito sinérgico do conjunto dos empreendimentos e, mesmo visto isoladamente, os projetos podem apresentar soluções que num conjunto são inadequadas. Por exemplo, um projeto de controle de cheias numa cidade pode mudar de forma significativa se não existe tratamento de esgoto na mesma área. Um conjunto de reservatórios pode produzir impactos que isoladamente não aparecem. Além disso, não existe planejamento ambiental, pois os projetos individuais são de motivações de interessados e não do gestor do sistema.
Para contemplar este tipo de problema foram propostos os estudos de Avaliação Ambiental Integrada, que devem ser integrados dentro de uma visão espacial e/ou setorial ou ainda intersetorial. Este tipo de avaliação deve permitir avaliar os efeitos que se interagem dentro do recorte identificado. Por exemplo, numa bacia hidrográfica existem usos da água e previstos novos empreendimentos de energia, irrigação, navegação, etc. Como este conjunto de empreendimentos impactam o ambiente, nos seus principais ecossistemas: terrestre, aquático e sócio-econômico? Em 2005 os Ministérios do Meio Ambiente e Energia preparam um termo de referência sobre Avaliação Ambiental Integrada para a bacia do rio Uruguai que foi implementado pela EPE Empresa de Pesquisa Energética com vistas aos novos empreendimentos da bacia. O TR também foi utilizado para outras bacias. Em 2006 ministrei um curso de AAI em três turmas em Brasília para o MMA (O texto está para donwload no site: http://rhama.net/aaib.zip ).
Como a Avaliação Ambiental Estratégica entra neste sistema? Veja que na descrição da AAI acima não é tomada decisão, apenas são realizadas avaliações e recomendações. A avaliação ambiental estratégica envolve a tomada de decisão em função dos elementos da AAI. Esta parte é sensível, pois nem sempre fica claro quem tem o poder da decisão, o como isto será feito. Por exemplo, numa bacia com vários empreendimentos existem os impactos mais diversos, o processo de decisão pode utilizar as diferentes técnicas disponíveis, mas por quem e como? O razoável seria buscar dar equilíbrio na decisão, de que se buscassem os menores impactos e as compensações pagassem pela preservação de outras áreas dentro da mesma bacia ou região. Para isto deveriam existir fundos de compensações ambientais e sistemas de seguros obrigatórios. Observa-se que existe um vácuo a ser preenchido no processo decisório na busca de mecanismos econômicos e sociais para dar sustentabilidade ambiental. Apresentei um exemplo deste tipo de encaminhamento neste blog em outubro passado, tratando como os mananciais urbanos poderiam ser sustentados por compensações econômicas.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

2 Comments

  1. lane

    Sou biologa e estou estudando para o concurso do MMA.
    Na prova discursiva devera ser feito um parecer tecnico de qualquer tema relacionado ao meio ambiente.
    Nao tenho ideia de como devera ser feito esse parecer .
    Tucci, sera que voce poderia mim ajudar?
    Existe um manual tecnico ou normas pra se fazer um parecer tecnico?
    Aguardo resposta.
    Desde ja agradeço
    LANE.

    Não existe um manual para isto. A orientação que posso dar é a seguinte: (a) depende da questão colocada para você avalair e os dados fornecidos; (b) geralmente você deve analisar o cenário com o empreendimento ou com a alteração proposta e sem a alteração proposta; (c) nestes dois cenários você deve examinar o que está dentro da legislação pertinente e pode ser aceito e o que não está e qual o impacto que isto pode gerar com as alterações propostas. Portanto, você deve estar bem atualizada sobre a legislação que se aplica ao parecer que vai analisar. (d) A análise ocorre dentro dos aspectos sociais, ecossistema terrestre e ecossistema aquáticos. Procure entrar no site do IBAMA e dos órgãos ambientais e estudar os pareceres de projetos como exemplo.

    Prof. Tucci

  2. Cristiana Pharaóh Aouad

    Prezado Professor Tucci,

    Trabalho com Estudos socioambientais e gostaria de fazer um curso contigo. Tem previsão de alguma turma?

    Tenho uma disciplina de Avaliação Ambiental Integrada que dou na Feevale em Novo Hamburgo e este ano as aulas serão concentradas em duas semanas uma de agosto e outra de outubro.

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