7 bilhões de pessoas

No dia 31 de outubro segundo as Nações Unidas estimou a Terra chegou a 7 bilhões de pessoas. Estes números dão certo calafrio para alguns, para outros um símbolo de insignificância e para outros o medo da falta de sustentabilidade.
Em 1950 a população mundial era de 2,5 bilhões e deve chegar em 2050 a 9,3 bilhões. O aparente processo acelerado de crescimento está se desacelerando, já que levou cerca de 250.000 anos para chegar a 1 bilhão em 1800, 2 bilhões em 1927, 3 bilhões de 1959 e 5 bilhões em 1987. O pico ocorreu em 1960 e agora para cada bilhão adicional o número de anos está tendendo a aumentar porque a fertilidade está diminuindo em muitas regiões do mundo. Como mencionei em várias ocasiões neste blog. A população tende a estabilização com 2,1 filhos por casal, em média. Nas Américas são poucos os países que têm valor superior a este e o Brasil já está em 1,9. Na Europa a média é de 1,53 e na Ásia próximo e 2,03. Os países com grande crescimento estão na África, justamente os mais pobres. Também dentro dos países a tendência é da parte da população mais pobre crescer mais. Isto cria permanente pressão econômico-social.
Um dos processos importantes que tem produzido a redução da fertilidade é a urbanização. Existe uma correlação negativa entre redução de fertilidade e aumento da urbanização. Na figura abaixo se pode observar a redução do crescimento da população brasileira a medida que aumentava a urbanização. Este processo ocorre por vários fatores relacionados com o tipo de atividade e do aumento da educação com o controle de natalidade. No século 19 antes da revolução industrial o emprego era na agricultura, com a revolução industrial houve o processo de industrialização que mudou o emprego ao longo do século vinte. Já na segunda metade do século vinte os serviços aumentaram de forma significativa.
Os serviços são atividades urbanas e atualmente em países desenvolvidos da ordem de 90% do emprego estão nos serviços e apenas 8 % na indústria e 2% na agricultura. Isto se refletiu em regiões industriais, como nos Estados Unidos onde a indústria se deslocou para a Ásia buscando mão de obra mais barata. Detroit que tinha 2 milhões de pessoas em 1950 hoje tem apenas 770 mil, com regiões cidade com casas abandonadas. Em menor escala ocorreu em outras cidades industriais americanas. De alguma forma os serviços, em menor escala também se deslocaram para países de mão de obra mais barata com o ¨outsourcing¨ de determinados serviços como programação, atendimento telefônico, entre outros.
A urbanização é um fato irreversível que deve estabilizar a população ao longo deste século e início do próximo. Considerando uma população mundial de 9 bilhões de pessoas e uma densidade média de 65 hab/ha, que é a densidade média das cidades brasileiras, esta população ocuparia 1,3 milhões de km2. Parece muito, mas é da ordem de 1/7 da área do Brasil.
As questões mais críticas como foi mencionado neste blog estão na grande demanda localizada de recursos naturais por esta população até que encontre o seu equilíbrio. Além disso, com os padrões de qualidade de vida do mundo desenvolvido somente uma parte da população tem condições de usar estes recursos. Estas questões ficarão para além do nosso tempo.

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Figura taxa de urbanização e crescimento populacional do Brasil

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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