Vulnerabilidade de uma sociedade

Você já pensou na vulnerabilidade da sociedade de forma geral? Quais os riscos de uma sociedade que se torna cada vez mais complexa em todos os sentidos: econômico, social (incluído o demográfico), ambiental, doenças, processos naturais?

Lomborg, no seu livro Ambientalista Cético, mostrou que a sociedade está melhorando, apesar de todas as ameaças ambientalistas e mais recentemente das mudanças climáticas. Os países desenvolvidos e em desenvolvimento tenderam a melhorar economicamente em relação ao século passado, apesar do forte crescimento demográfico, que continua nos países pobres.

Nos últimos anos, tivemos sustos econômicos, como o excesso de liberdade comercial nos Estados Unidos, em 2008, e complexos instrumentos econômicos que alavancaram apostas bilionárias e levaram à perda de poupança de uma parte importante do mundo. Por exemplo, os desastres naturais dos terremotos, tsunamis e inundações, que sempre são creditados à mudança climática, e a permanente preocupação com o terrorismo.

A vulnerabilidade da sociedade e do meio ambiente estão relacionadas com impactos climáticos, vulnerabilidade ou mudança climática, vulnerabilidade econômica e social e impactos da sociedade sobre o meio ambiente. A peste negra, no século XIV, uma pandemia de peste bubônica, dizimou 75 milhões de pessoas, o equivalente a 1/3 da população da época, devido a fatores ambientais como aumento demográfico, excesso de desmatamento, período climáticos desfavoráveis e ambientes urbanos contaminados.

Diamond, no livro o Colapso (Editora Record), de 2005, elenca vários fatores ambientais para avaliação da vulnerabilidade e sustentabilidade de uma sociedade, mostrando as que falharam e as que são mais sustentáveis. Todos inter-relacionados entre si e dependentes de condicionantes sociais descontroladas. Os fatores mencionados pelo autor são:

  1. Desmatamento e destruição do habitat (exemplo da Ilha da Páscoa);
  2. Problemas com o solo como erosão, salinização e perda de fertilidade (Groenlândia Nórdica);
  3. Gestão da água, onde períodos prolongados com baixa precipitação tornaram inviáveis a sobrevivência de populações na história da humanidade (região do Saara, maias na América Central, entre outros);
  4. Excesso de caça e pesca, reduzindo a reposição e dieta animal de longo prazo (aumento da demanda);
  5. Alteração das espécies nativas pela entrada de outras espécies;
  6. Aumento demográfico, com grande demanda e recursos limitados;
  7. Mudanças e variabilidade climática;
  8. Carência de energia;
  9. Utilização da capacidade fotossintética do planeta.

O autor apresenta vários exemplos de sociedades que se tornaram sustentáveis ou colapsaram.

Observa-se nesta lista os principais forçantes, que são o crescimento demográfico e o crescimento da demanda per capita, pressionando diferentes condicionantes ambientais. Um novo cenário se avizinha com o aumento da população urbana. Atualmente, 50% da população mundial é urbana (principalmente em países desenvolvidos). A tendência dos próximos quarenta anos é de passarmos a 9 bilhões de pessoas, dos quais 70% vivendo em cidades, representando 6,3 bilhões de pessoas. Ou seja, a população atual toda em cidades. A população mundial tenderia a se estabilizar entre 11 a 12 bilhões de pessoas, no final do século, quase o dobro da atual, provavelmente com 80% a 90% em cidades. Este crescimento ocorrerá principalmente nos países mais pobres. Isto não é alarmismo, pois o mundo com tecnologia e conhecimento está cada vez mais preparado. O maior desafio, no entanto, será a gestão de muitas pessoas em um espaço limitado, com sérias questões sociais e de saúde e com recursos naturais limitados.

 

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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