Um susto e duas longas viagens II

Esta semana estou completando a segunda longa viagem pelo Oeste americano, um dos motivos destes dois textos. Esta foi uma viagem de turismo planejada com alguma antecedência por um roteiro fora do tradicional das agências de viagens. O principal desta parte do roteiro foram as áreas áridas do oeste americano nos estados do Colorado, Novo México, Arizona e Utah e a história de sustentabilidade dos índios e da sociedade atual.
Nesta região está o rio Colorado que atravessa estes Estados e depois segue para o México e deveria chegar ao Golfo do México como ocorria antigamente, mas o rio seca totalmente antes de chegar ao Oceano, além de ter suas águas salinizadas pela intensa agricultura. Esta bacia e seu principal rio tem sido o centro de muitas controvérsias pelo uso da água entre os estados de Arizona e Califórnia, além de Estados Unidos e México. O livro Cadilac Dessert de M. Reisner trata deste assunto e foi fonte de quatro documentários de TV. Neste mesmo roteiro passamos também pelo rio São Juan afluente do Colorado e pelo rio Grande que segue para o Texas e tem sua cabeceira no Colorado..
Chegamos a Denver de avião e de carro para Taos e depois Santa Fé no Novo México, cidades com bastante história dos índios Pueblos (18 ao longo do rio Grande) que têm origem nos Anasazi (ver um capítulo sobre estes índios e sua sobrevivência no livro Colapso de Jared Diamond) que habitaram nas montanhas do Arizona, Colorado e Novo México no primeiro milênio. Em Santa Fé ainda existe o edifício onde foi desenvolvida a bomba atômica, e o museu de Georgia O´Keeffe (pintora americana) .Na região está o Ghost Ranch em Abiquiu onde ela vivia os verões. A paisagem da área mostra uma geologia de pedras vermelhas e vegetação de deserto. Na viagem de carro observa-se grande variação de vegetação típica de clima árido. Nesta região o direito da água é da propriedade e de acordo com a precedência, ou seja, quem chegou primeiro e solicitou seu direito de uso ficou registrado legalmente associado a propriedade. Portanto, o valor da mesma esta no direito da água, devido a aridez. Na seca, que é frequente, os direitos de precedência mais recentes devem parar de usar na medida em que a vazão diminui. Nas fotos abaixo é possível ver o Rio Grande em Taos, num vale encaixado profundo, formado por milênios de inundações excepcionais e paisagens perto do Ghost Ranch.
De Santa Fé fomos para Sedona na rota 66, onde quase todo momento passamos pelos viajantes de motos em grandes grupos, inclusive perto de Sedona está Willians, um cidade minúscula que cultiva a tradição da rota 66. Sedona é uma cidade com certo misticismo devido as formações rochosas (foto abaixo) avermelhadas e lindas. De Sedona fomos para o Gran Canyon por onde passa o rio Colorado com formações incríveis em que a água foi escavando o seu caminho por milhões de anos, com os relatos das suas corredeiras, a primeira viagem de barco de Powell que está no filme imperdível do IMAX na entrada do Parque. Do Grand Canyon fomos para Page onde fica o reservatório Powell e a Usina Hidrelétrica (Arizona e Utah) e depois ao Monumet Valley (também Arizona e Utah), que em parte ficam na reserva Navajo. Em Page ficam existem formações criadas por um rio que atravessa as rochas criando cavernas denominada de Antelope (veja foto abaixo). Estas formações tendem a se modificar com as cheias maiores. Monument Valley são formações que se destacaram numa planície que em algum tempo no passado foi inundado e atualmente são formações de rara beleza.
Na sequência fomos para o Parque Nacional de Mesa Verde (Colorado) onde existem os resquícios dos Anasazi e sua forma de viver no primeiro milênio e um museu interessante. Depois disto fomos para Tellurride e Aspen duas estações de esqui que no verão têm outro tipo de atividade turística e possuem outro tipo de paisagem com montanhas íngremes em vales estreito. Quando passamos por Central City nas montanhas rochosas em relação a Boulder, a Highway 119 tem uma placa que diz: “ em caso de cheia suba” . Isto está relacionado a uma das maiores cheias do Big Thompson (rio que passa na área) de agosto de 1976, que neste trajeto levou rochas, casas e tudo encontrado pela frente. Lembro-me disto, porque neste dia estava em Central City (cidade com casino e preservada) por turismo quando estudava na Colorado State University em Fort Collins e retornei as 9 – 10 da noite, e as 12 h ocorreu a referida inundação no caminho que fiz de carro. Boulder é uma cidade bastante ambiental e tem limites de crescimento e sustentabilidade.
Este é roteiro que pode ter várias alternativas, mas o mais interessante são os diferentes ambientes naturais que se encontra pelo caminho desde o belo e árido deserto as verdejantes montanhas do Colorado.
Antelope
Antelope

Monumental Valley
Monumental Valley

Rio Grande
Rio Grande

Imagem de Deserto do Utah
Deserto de Utah

Gran Canyon

Grand Canyon

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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