Investimento socialmente sustentável

Como reação aos fortes impactos ambientais vivenciados pelo grande crescimento econômico depois da Segunda Guerra Mundial, a sociedade, logo depois dos anos 70, criou legislações para controle destes impactos. No Brasil, este processo ocorre nos anos 80, buscando controlar este processo por mecanismos chamados de “comando-controle”.

A evolução do simples controle veio com os conceitos do desenvolvimento sustentável, introduzido no final dos anos 80. A prática deste processo vem se consolidando dentro do mundo corporativo apenas nos últimos anos, onde os fundamentos do chamado Investimento Socialmente Responsável (ISR) são absorvidos e transformados em ações práticas. Isto envolve a combinação dos fundamentos da gestão, como eficiência, lucro e ética, com o social e o ambiental.

A tendência é que o investidor, além do lucro, escolha empresas que praticam princípios fundamentais relacionados aos aspectos sociais: respeito e valorização do pessoal, práticas trabalhistas adequadas, etc; práticas ambientais adequadas obtidas através de deferentes certificações, que são mecanismos independentes de avaliação das atividades e respeito ambiental. A certificação de madeira obtida por floresta com manejo adequado, reuso da água dos processos industriais, tratamento de efluentes e obediência da legislação ambiental, entre outros, por exemplo. A governança envolve a ética corporativa, transparência, equidade entre as partes nas suas ações.

Os princípios do ISR evoluíram da década de 70 para cá por meio de vários grupos, desde Sullivan, em 1971, CERES, em 1989, Pacto Global das Nações Unidas, até os princípios do Equador, em 2002.

O Pacto Global tem 10 princípios que se baseiam no seguinte: direitos humanos, direitos do trabalho, princípios ambientais (Rio 92), convenção da ONU contra corrupção. Os princípios do Equador foram propostos pelo IFC ligado ao Banco Mundial, em 2002. Vários bancos internacionais e brasileiros são signatários dos princípios do Equador que se aplicam a financiamentos acima de US$ 10 milhões. Os principais fatores considerados nesta avaliação são:

  • Gestão de risco ambiental: proteção à biodiversidade e adoção de mecanismos de prevenção e controle de poluição;
  • Proteção à saúde, à diversidade cultural e étnica e adoção de Sistemas de Segurança e Saúde ocupacional;
  • Avaliação de impactos socioeconômicos, incluindo as comunidades e povos indígenas, proteção a habitats naturais com exigência de alguma forma de compensação para populações afetadas por um projeto;
  • Eficiência na produção, distribuição e consumo de recursos hídricos e energia e uso de energias renováveis;
  • Respeito aos direitos humanos e combate à mão-de-obra infantil.

O mercado tem utilizado indicadores ambientais de grupos de empresas que adotam estes princípios nas suas práticas corporativas. Isto permite dar visibilidade aos grupos que adotam as práticas do ISR para o investidor. No Brasil dois dos principais indicadores são:

Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IAGC) e o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). O primeiro mostra a evolução de algumas empresas do novo mercado e possuem boa liquidez. O segundo compõe a evolução das ações de empresas consideradas sustentáveis. As empresas também possuem critérios específicos para fazerem parte do índice. No exterior, cada bolsa possui um ou mais índices relacionados com o ISR. Este processo incentiva as empresas a adotarem os padrões esperados pelos índices.

Este é um processo em evolução que certamente trata de dar mais credibilidade na relação investimento e lucro com os aspectos sociais e ambientais.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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