Trecho de vazão reduzida: métodos

Existem várias classificações na literatura para os métodos de definição da vazão ambiental no TVR, mas que de alguma forma se concentram no seguinte:

Índices hidrológicos: são utilizadas vazões mínimas relacionadas com a vazão média, curva de permanência ou com a curva de probabilidade de vazões mínima. Este tipo de critério se baseia apenas em condicionantes de estiagem. A vantagem deste tipo de metodologia é a facilidade de aplicação, mas pode apresentar inconsistências, já que a sua extrapolação para diferentes locais leva a incertezas, pois não avalia os condicionantes físicos e biológicos do habitat, apenas pressupõe que são os mesmos em todos os locais. Adotam valores da curva de permanência como a vazão de 95% da curva de permanência ou da vazão mínima. No entanto, de acordo com a regularização natural dos rios, estes valores podem variar muito e não são comparáveis em termos das outras variáveis hidráulicas. Numa bacia do Centro – Oeste o Q95 pode ser 35% da vazão média e no rio Uruguai 10%, representando profundidades, área molhada e condicionantes do habitat muito diferentes entre si.

Métodos baseados na análise de dados locais: este método analisa os dados locais hidráulicos como vazão, perímetro molhado e velocidade do escoamento e sua relação com condicionantes do habitat, permitindo uma definição preliminar quanto às limitações das vazões. O método mais representativo deste grupo é o do Perímetro Molhado. Este método admite que a integridade ambiental do rio dependa do perímetro molhado, portanto quanto maior for este valor, melhor atende as condições ambientais. Para caracterizar o perímetro ideal de uma seção o método analisa a variação entre o perímetro molhado e a vazão, identificando os pontos de inflexão da curva. Esta relação também pode ser observada na relação entre o Perímetro e o nível d’ água. O ponto de inflexão mostra que o perímetro não aumenta muito à partir de certa cota ou vazão, portanto não existindo ganho em aumentar o nível ou a vazão correspondente. Este método mostra melhor aplicação em rios com baixa profundidade e maior largura.

Métodos estatísticos do hidrograma e relação com o ecossistema: Estes métodos se baseiam nas alterações das estatísticas da série de vazões com indicadores do habitat e avaliam o impacto pelo número de indicadores que estão fora de determinados limites pré-estabelecidos das estatísticas. Para isto é necessário um período de observação com dados amostrados do local para estabelecer as relações e a sustentabilidade. O problema é que este método tem sido usado sem a relação efetiva com os condicionantes, o que torna o processo semelhante ao primeiro métodos, mas com vários indicadores.

Métodos holísticos: estes métodos incorporaram os modelos de simulações de aspectos hidrológicos, hidráulicos e do habitat. Estes métodos procuram analisar o conjunto do hidrograma para definir os seus condicionantes ambientais nas diferentes fases do ciclo hidrológico. Como consequência, o objetivo migrou do interesse pela conservação de processos contidos somente na calha do rio para processos do rio que integra o leito menor do rio e a zona ripária, várzeas de inundação e aquífero aluvial (zona vadosa), que fazem parte do leito maior. Apesar de ser uma metodologia adequada requer monitoramento e estudos que vão além de um estudo específico.

Os primeiros métodos são de uso mais simples e os dois últimos necessitam de um período de monitoramento e estudos ambientais específicos. Deveriam fazer parte de estudo do conjunto da bacia dentro da sua Avaliação Ambiental Integrada. Assim, permitindo melhor regulação de diferentes projetos da bacia. O consenso na literatura indica que são necessários estudos locais para melhor definição das vazões ambientais e devem-se examinar o hidrograma nas duas diferentes fases e um conjunto fatores ambientais para uma análise ambiental do trecho em estudo.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

One Comment

  1. Gleice Rocha

    Olá, irei realizar um trabalho sobre a Hidrologia urbana da região metropolitana de Belém, no entanto estou com dificuldade de definir a metodologia para este trabalho.Poderia me ajudar?

    Grata!
    Gleice Rocha

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