Indicadores do balanço hídrico

O balanço hídrico de uma área, bacia ou qualquer sistema é importante para se conhecer a sustentabilidade ao longo do tempo de sistemas hídricos como um aquífero, um lago, usos da água como na agricultura, populações e para o ambiente regional. A história mostra que ao longo do tempo muitas sociedades perderam esta sustentabilidade devido a fatores como: variabilidade e mudança climática, efeitos antrópicos como desertificação, superexploração do uso da água e salinização da água.
Em países como o Brasil estes processos nem sempre são evidentes devido ao excesso de água em muitas regiões, com exceção do Nordeste (10% do território brasileiro). Neste artigo procuro discutir quais são estes indicadores e como podem ser estimados de forma preliminar no tempo e espaço.
As variáveis de análise principais são a precipitação, evapotranspiração e escoamento (resultante do escoamento superficial, subterrâneo e retiradas de água por bombeamento) e suas variações no tempo e espaço. Muitas das variáveis climáticas estão introduzidas dentro da evapotranspiração e mesmo da precipitação.
Naturalmente em zonas úmidas como o Sudeste e o Sul do Brasil que precipita (P) da ordem de 1500 mm por ano, em média. Deste total a evapotranspiração contribui com cerca de 1000 mm (EVT) e o escoamento (Q) 500 mm, ou seja, 30% do que precipita escoa. A parcela do escoamento subterrâneo (EB) com relação ao escoamento total é da ordem de 60%. Portanto, a recarga esperada é de 300 mm, ou seja, 20% do precipitado. Estes valores médios podem variar com coeficiente de variação de 0,2 a 0,3, mas variam muito mais com relação a determinados anos e ao longo de uma série longa de anos.
Parametrizando um período longo resultam:
C (Coeficiente de escoamento) = Q/P
R (recarga) = k.Q = k.C.P = k. (P-EVT)
Onde k é a proporção de escoamento subterrâneo do escoamento o escoamento total.
Para estimar estes valores para um determinado local é possível utilizar a série de alguns anos (pelo menos 10 anos) e determinar a média de P e a média de Q. EVT = P-Q. Utilizar os dados de vazão e fazer a separação de escoamento superficial e subterrâneo e determinar o valor de k. Os métodos utilizados para esta separação podem ser encontrados nos livros de hidrologia. Existe um método expedito que pode ser utilizado numa planilha. Determine a média móvel de 7 dias. Conecte os pontos inferiores de inflexão e a parte inferior da curva é o volume subterrâneo. Desta forma, é possível quantificar estes indicadores.
Para verificar a sustentabilidade da área em estudo deve-se analisar a demanda de água por usos antrópicos como no abastecimento humano e animal que consome a água e na agricultura e quanto é retirado dos rios e aquíferos, reduzindo seu nível e comprometendo o futuro.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

One Comment

  1. Boa Tarde,
    Estamos desenvolvendo um projeto para um loteamento na cidade de Tubarão/SC, numa área de 400 ha. Estamos pensando em utilizar diques para contenção das cheias. Gostaríamos, porém, de contratar um estudo de viabilidade técnica antes de tomar uma decisão.
    Se for possível e for do seu interesse, gostaríamos que você nos mandasse o seu email para mantermos contato e, caso cheguemos a um acordo, firmamos uma parceria neste projeto.
    Obrigado.

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