Hidrologia: uma ciência em transformação III

Nas duas últimas semanas apresentamos as fases do desenvolvimento da Hidrologia como ciência. Nesta semana concluímos com a fase atual do desenvolvimento do conhecimento hidrológico dentro das oportunidades dos desafios atuais da sociedade moderna. Esta fase chamamos de:
Alterações antrópicas (fase atual): Depois da década 1990 é introduzido o conceito do desenvolvimento sustentável, onde o uso do solo, variabilidade e mudanças climáticas, usos da água (usos consuntivo) mostram que as séries de precipitação e vazão se tornem não-estacionárias devido aos mencionados efeitos.
Séries não-estacionárias são aquelas em que as suas estatísticas (média e desvio padrão, entre outras estatísticas) podem variar com o tempo. Em hidrologia isto pode ocorrer por mudança ou variabilidade climática, alteração do uso do solo, usos consuntivos ou por obras hidráulicas. Estes efeitos isolados ou combinados podem alterar a série de precipitação e vazão ao longo do tempo com aumento ou diminuição dos valores. A maioria dos projetos de engenharia é dimensionada considerando as séries estacionárias, o que pode aumentar as incertezas dos resultados.
As pressões antrópicas exercidas pelo homem na natureza produzem efeitos não-lineares que nem sempre são previsíveis para que as soluções possam mitigar e controlar. A sociedade moderna esta se transformando e alterando o ambiente de forma complexa, exigindo um conhecimento integrado e não-linear para a busca de soluções sustentáveis.
No âmbito da tecnologia o SIG, sistemas geográficos de informações vieram para permitir melhorar os modelos e tratar o espaço e seus atributos de forma mais completa. Novos equipamentos foram desenvolvidos que permitem medir a vazão e níveis como ADCP, radares, satélites, entre outros.
A Hidrologia evoluiu com o apoio do SIG permitindo o uso sistemático de dados espaciais das características das bacias hidrográficas e de informações climáticas de forma sistemática. Com base nesta tecnologia os modelos distribuídos evoluíram rapidamente juntamente com as técnicas como estimativa de chuva de satélite e a integração de informações com os modelos meteorológicos e climáticos integrando aos hidrológicos para prever e quantificar de forma integrada os processos climáticos e hidrológicos. Em paralelo ao uso de técnicas computacionais modernas e o uso de sensores remotos evoluiu a hidrologia experimental com o monitoramento experimental, mostrando que em hidrologia a escala dos processos é fundamental no entendimento dos processos e representação na macrobacia urbana.
Os principais desafios são o aumento de monitoramento de experimental de bacias hidrográficas dentro de cada realidade e principalmente em diferentes escalas espaciais para melhor entender as interações dos mecanismos climáticos, hidrológicos e do ecossistema ambiental que permita priorizar vazões de outorga e vazões ambientais de usos e conservação da água.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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