Segurança hídrica, você sabe o que é?

Segurança hídrica é uma denominação abrangente sobre a busca de garantia para a disponibilidade hídrica nos diferentes usos (inclusive o ambiental). Envolve a gestão dos riscos que a população e o ambiente estão sujeitos quanto a extremos de secas e inundações e de falhas de gestão. Este termo tem sido mais utilizado para garantir a disponibilidade hídrica, como se observou mais recentemente com a seca ocorrida entre 2014 e 2015, no Brasil. A avaliação de segurança hídrica envolve as fontes de riscos como variabilidade e mudança climática e alterações antrópicas nos sistemas hídricos, como desmatamento, urbanização, construção de barragens e a ação humana na gestão dos sistemas. Na avaliação de risco, deve-se observar as metas relacionadas aos impactos, mitigação e vulnerabilidade quanto às condições ambientais, sociais e econômicas.

A prática tradicional da engenharia de projeto em recursos hídricos é do dimensionamento dos sistemas hídricos, como barragens, aduções para população e indústrias, entre outros, considerando um risco de atendimento de, por exemplo, 95%. No entanto, raramente os projetos estão preparados para as consequências dos 5% de chance de ocorrer um cenário desfavorável. Isso ocorre porque geralmente pode elevar o custo final dos projetos ou mesmo por imprevidência. Um exemplo recente é o que ocorreu na Região Metropolitana de São Paulo, com falta d'água devido a um período superior a 1 ano de vazões muito baixas, com risco inferior a 1% da série de 84 anos. Onde está a resiliência do sistema a um cenário tão desfavorável? Parece razoável ter um Plano B para o cenário desfavorável. Atualmente o aumento do risco relacionado ao clima, modificação da demanda, falta de gestão e incertezas na avaliação do risco aumentam ainda mais este tipo de problema.

O que fazer para o cenário em que ocorre vazão além do projeto?

Uma das práticas atuais é desenvolver mitigações ou adaptações da população ou ambiental que pode ser afetado. Por exemplo, ao projetar um dique de proteção com inundações para uma cidade, uma medida de resiliência é planejar ao longo do tempo uma alteração na urbanização de casas para edifícios, com espaços verdes. Neste último caso, na eventualidade do dique ser ultrapassado, a população atingida nos seus bens é menor. Um exemplo deste processo vem na legislação de segurança de barragem, onde existe o Plano de Segurança da Barragem, que atua preventivamente para evitar que a mesma rompa. Mas também existe o PAE (Plano de Ação de Emergência), que determina a população que pode ser atingida e as medidas a serem tomadas durante o evento.

Para a disponibilidade hídrica, existem várias medidas que podem ser tomadas, desde que estabelecida num PAE (Plano de Ação Emergencial) para este caso. Por exemplo, previsão de vazão para medidas de racionamento com antecipação, projetos emergenciais com uso de água mais distante e de custo maior, entre outros. Considerando as incertezas climáticas é razoável supor que todos os projetos hídricos deveriam possuir uma avaliação de risco e medida de ação em situação de emergência. Um risco maior e de difícil prevenção e mitigação acontece quando a seca ou as enchentes ocorrem numa sequência longa de anos.

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About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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