Fatores de risco e mecanismos da gestão dos recursos hídricos

Retomando um assunto tratado anteriormente, gostaria de destacar que os principais fatores de risco associados à gestão dos recursos hídricos estão relacionados a um ou mais dos seguintes elementos:

(a) Aumento da demanda de água e poluição: usos consuntivos como irrigação, abastecimento da população e indústria, diminuem a quantidade de água nos sistemas hídricos. O aumento de seu uso pode gerar conflitos em regiões específicas pelo aumento da demanda e pela contaminação das fontes de águas e impactos ambientais. As regiões metropolitanas são as principais fontes destes problemas;

(b) Alterações do uso do solo e obras hidráulicas: alteram a disponibilidade hídrica no tempo e no espaço, podendo gerar conflito entre os usuários da água e o meio ambiente. Existem importantes áreas do Brasil onde estes efeitos são significativos, como na bacia do rio Paraná;

(c) Variabilidade e mudança climática: podem alterar as condições de disponibilidade em função de alterações do clima. Isto se observa em tendência de longo prazo por variabilidade ou pela tendência atual de mudança climática. No sudeste do Brasil, observa-se  30 anos de vazões acima da média e, em grande parte do norte e nordeste, observa-se um período prolongado desde 1991 de redução da média de longo período.

Devido aos riscos associados aos usos e impactos da água, é necessário desenvolver mecanismos preventivos de gestão destes recursos. Existem mecanismos estruturais e não-estruturais para aumentar a resiliência dos sistemas, população e meio ambiente, às catástrofes naturais e antrópicas. O seguro é um dos mecanismos não estruturais para este tipo de gestão.

Os mecanismos de proteção da população aos riscos relacionados a eventos críticos, como secas e inundações, estão relacionados à prevenção e mitigação. A prevenção atua antecipadamente sobre os riscos tanto para reduzir os prejuízos como desenvolver medidas de redução da vulnerabilidade econômica e social. Dentro dos mecanismos de prevenção estão medidas como:

  • Seguro para reduzir a vulnerabilidade econômica e permitir a recuperação dos impactos;
  • Sistema de previsão e alerta para reduzir os impactos com base na informação antecipada;
  • Zoneamento de inundação para reduzir os impactos pelo planejamento do uso do solo, no caso da inundação, e medidas como conservação e eficiência do uso água;
  • Medidas estruturais de redução do risco na inundação e de redundância de disponibilidade hídrica, no caso do uso da água.

A mitigação envolve ações específicas para reduzir os impactos depois de ocorridos os eventos. A ferramenta fundamental para este tipo de ação é o Plano de Emergência, acionado durante os eventos críticos. Ele contém os mecanismos previstos de prevenção, como o alerta e a disponibilidade de infraestrutura para repor os impactos devido ao evento.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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