Expansão do agronegócio e o uso da água II

Na sequência de artigos iniciada na semana passada estamos abordando inicialmente os aspectos conceituais da água e do agronegócio. Na semana passada foi destacado o consumo de água e esta semana os impactos.

Impactos: O impacto dos usos devido ao consumo humano (esgoto sanitário) e industrial (efluentes industriais) são cargas pontuais que entram em alguma seção do rio e devem ser gerenciados pelo enquadramento dos rios, segundo a resolução do CONAMA sobre o assunto.
O potencial impacto da agricultura devido à irrigação e mesmo o plantio de sequeiro decorre pelo uso de produtos existentes nos fertilizantes e pesticidas. Estes impactos são também pouco conhecidos devido à falta de monitoramento que avalie a qualidade da água pluvial das áreas agrícolas. Mesmo quando existe monitoramento as amostragens não são realizadas quando esta carga efetivamente ocorre, no início das chuvas.
Juntamente com a água resultante do escoamento pluvial das cidades, o escoamento pluvial das áreas agrícolas são as cargas difusas que podem comprometer a água dos mananciais dos rios. Este tipo de poluição não tem instrumento legal claro para a sua gestão.
A agropecuária está diretamente relacionada com o uso do solo na medida em que modifica a cobertura e o solo, alterando o ciclo hidrológico e produzindo efeito sobre a disponibilidade hídrica, produção de sedimentos e qualidade da água. Este processo também tem sido pouco avaliado na realidade nacional, apesar do efeito benéfico ocorrido com a implantação do Plantio Direto desde a década 90.
O desmatamento localizado tende a aumentar o escoamento médio e máximo com aumento de sedimentos e perda de solo fértil e reduzir a capacidade do escoamento dos rios com potencial efeito sobre as inundações. Em pequenas bacias de cabeceira o efeito do desmatamento é de redução da vazão mínima, mas aumento da vazão média. Tucci (2007) demonstrou este efeito na bacia incremental de Itaipu com dados da relação precipitação x vazão do período anterior e posterior a 1970, depois do maior desmatamento desta bacia.
A agroindústria tem produzido impacto sobre a qualidade da água regional devido à carga da produção de animais, como aves e suínos, que ainda não possuem uma sustentabilidade econômica adequada, gerando grandes passivos ambientais em excessiva carga de poluente em bacias específicas como em Santa Catarina e no Centro-Oeste. Como a produção foi terceirizada para pequenos proprietários o ônus também foi terceirizado e não foram embutidos os subsídios ambientais na produção deste tipo de indústria.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *