Evolução da agropecuária e do consumo de água IV – Evolução

A agricultura tradicional de sequeiro ocupa 94,1% da área agricultada e depende das condições climáticas sazonais e interanuais para a sua produtividade. Em 2011 – 2012 a seca comprometeu regiões do Sul do Brasil com uma seca prolongada. Desde 2001 o setor de commodities agrícola tem aumentado seu retorno econômico em nível mundial com o aumento da demanda na China e Índia.
Este processo tem melhorado a renda no campo e criado um potencial maior de introdução de aumento tecnológico. Os treze principais cultivos (Soja, milho, cana de açúcar, feijão, arroz trigo, café mandioca, algodão, sorgo, laranja, castanha de caju e cacau) representam 94% da área total plantada no país no período 2004 – 2005. O aumento da produtividade foi o fator que permitiu sair de uma produção de 52,2 milhões de toneladas em 80/81 para 119,1 milhões de toneladas em 2003/2004. A área plantada cresceu de 38 milhões de hectares para 58,5 milhões de hectares, dobrando a produtividade. Os principais fatores deste aumento foram o uso de alta tecnologia: equipamentos, melhoria da prática de irrigação e drenagem, melhoria de sementes e racionalização do plantio. O aumento também se deu pela expansão da irrigação e regiões como o Centro-Oeste onde existe solo de boa qualidade, disponibilidade de regularização natural boa, mas período longo sem chuva onde o plantio se viabiliza no inverno apenas com irrigação.
A área irrigada total em 2006 era de 4.454 milhões de hectares. Esta área representa da ordem de 17% da área irrigada em nível mundial. Os maiores potenciais de área de irrigação estão no Centro- Oeste e Norte, já que a proporção usada com relação ao potencial é de 11,4 e 0,7 %, respectivamente. A maior taxa de crescimento de área irrigada ocorre no Centro-Oeste com 7,72 % seguido pelo Sudeste 5,5%. A irrigação por área de superfície representou 1,34 milhões de ha e 2,74 milhões de ha para aspersão.
MI (2011) analisou a taxa de crescimento e uma projeção otimista prevê aumento da demanda de água entre 36 e 51 km3 para 2030. Estes valores devem se concentrar principalmente no Centro – Oeste, Norte, parte do Sudeste e do Sul. O Nordeste está no limite do seu potencial.
O acréscimo do volume consumido em 2030 no cenário otimista é 150% superior ao total retirado em 2006 por todos os usos no país. Este valor é significativo e representa 1267 m3/s. Este cenário mostra que poderão ocorrer stress hídricos em várias bacias distribuídas pelo país, com conflito entre usuários, limitando a expansão da agricultura irrigada em algumas regiões.

MI,2011. Organização, descrição, análise e interpretação de dados sobre a agricultura irrigada no Brasil Ministério da Integração. (apresentação Rio de janeiro, janeiro de 2011)

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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