Evolução da agropecuária e do consumo de água V – Desafios e oportunidades

Os cenários apresentados nas semanas anteriores mostram que devido a grande vocação brasileira para produção de commodities agrícolas deverá ocorrer uma tendência de expansão da demanda para produção agropecuária.
Para que esta produção cresça de forma sustentável com oferta e sem comprometer o meio ambiente é necessário aumentar a produtividade, minimizando a expansão da área plantada.
A produtividade pode ser aumentada no âmbito das tecnologias relacionadas com os usos dos recursos hídricos como as seguintes, entre outros:

• A Irrigação permite o aumento da produtividade, segundo ANA (2006c) no Brasil, cada hectare irrigado equivale a três hectares de sequeiro em produtividade física e sete em produtividade econômica. Considerando que a área irrigada ainda é pequena com relação a área total plantada, existe um espaço muito grande para crescimento da produção, mantendo a mesma área plantada. Neste sentido as regiões com potencial de crescimento maior é o Centro-Oeste;
• Racionalização do uso da água com redução do consumo de água e minimizando a drenagem. A prática de irrigação tem aumentado para mecanização, mas ainda existe uma parcela alta de drenagem que prejudica o solo e reduz a vazão nos lagos e rios. Existe um espaço tecnológico importante para o aumento do uso de tecnologia com informações climáticas locais, gotejamento e planejamento do solo que minimize a drenagem com alta produtividade. Além disso, existe importante espaço pra redução da demanda da água no âmbito da Agroindústria de processamento de alimentos, usinas de açúcar (no processamento de 1 litro de álcool são usados 23 litros de água), entre outros.
• Previsão climática e hidrológica: grande parte da produção agrícola brasileira é ainda de sequeiro e está sujeita a variabilidade climática de curo prazo (semanas) e sazonal (meses). Com a melhoria das ferramentas de previsão é possível conhecer com antecedência a estimativa de variabilidade climática que possa mitigar os efeitos em curto prazo, mas principalmente com alguns meses no futuro permite o planejamento do plantio e da colheita com redução de prejuízos;
• Zoneamento agrícola que permita otimizar os resultados de produção por meio de conhecimento adequado da combinação clima-água-solo-planta por regiões brasileiras;
• Inovações tecnológicas no plantio e na colheita para reduzir a aplicação de pesticida e consequente contaminação dos mananciais, manejo do solo para reduzir erosão e a proteção de áreas de conservação e preservação;
• Aumento do conhecimento dos efeitos ambientais do agronegócio avaliação e mitigação cargas difusas da agricultura, o efeito dos efluentes dos rebanhos e seu potencial reuso na agricultura.
• Gestão administrativa e econômica do agronegócio: Uma das questões fundamentais para o uso da inovação e aumento da produtividade reside na sustentabilidade econômica – financeira das propriedades rurais e a capacitação para tomada de decisão e gestão da propriedade considerando a economia de escala do uso das tecnologias.
Os meios fundamentais para a gestão e administração rural são fundamentais para que exista oportunidade para inovação e as propriedades tenham sustentabilidade de longo prazo para os investimentos.
• Gestão conflitos pelo uso da água: O Plano Nacional de Recursos Hídricos (ANA,2006d) nos seus objetivos estratégicos destaca a melhoria das disponibilidades hídricas, redução de conflitos pelo uso da água e conservação, que estão em linhas com as demandas acima. O referido Plano também considera fundamental a articulação entre a política de recursos hídricos e a política dos setores usuários, no caso a agropecuária, considerando a demanda de água. Como foi apresentado no capítulo anterior existe um grande aumento potencial da água na irrigação no Brasil, o que poderá gerar vários conflitos pela demanda entre diferentes usuários. Portanto, se faz necessário se antecipar a estas questões identificar as regiões críticas e estabelecer um planejamento estratégico. Certamente esta é uma ação dos gestores de água, mas deve ter como aliado o setor usuário, que no caso a agricultura será o maior agente de conflito potencial.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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