Urbanização e águas urbanas no Brasil

O acelerado processo de urbanização, iniciado no Brasil depois 1970, produziu grandes impactos e passou por alguns estágios importantes que destacamos a seguir, relacionando-os com a infraestrutura de águas urbanas.

Estágio do aumento de população e urbanização (1970 a 1990)

Grande taxa de crescimento populacional total e de urbanização, saindo de 55% para 78% de população urbana e de 90 milhões para 160 milhões de pessoas. Em 2005, estava em 84,2% e no futuro deve chegar a 94%.

Estágio redução da fertilidade (1990 a 2010)

Grande redução da fertilidade com a urbanização e redução da densidade habitacional das cidades. A taxa, em 2008, era de 1,94 filhos por casal e a taxa que estabiliza a população é de 2,1 filhos por casal. Duas crianças substituem seus pais e a fração 0,1 é necessária para compensar os indivíduos que morrem antes de atingir a idade reprodutiva. Enquanto que no Sudeste esta taxa fica em 1,72, no Norte chega a 2,51. Isto está produzindo a redução do número de pessoas por unidade domiciliar que, em 1991, era de 4,19 e no último chegou a um valor médio de 3,3. Enquanto isso, nas cidades maiores está caindo para 2,8. Isto indica que num mesmo espaço geográfico existirão menos pessoas por km², apesar da infraestrutura.

O primeiro estágio é resultado do movimento da população rural para as cidades. O segundo é causado pela redução da família, com a contínua expansão do espaço urbano e o maior custo para infraestrutura de águas urbanas. Houve uma redução da densidade da Região Metropolitana de São Paulo nos últimos anos. Esta redução é resultado do contínuo aumento da área para uma menor população, resultado do processo identificado acima. As consequências deste processo são: 

  1. Redução da demanda de água numa mesma área, mas com aumento na região; aumento de custo do transporte e da infraestrutura de distribuição;
  2. Redução da carga de esgoto coletada por unidade e aumento da demanda por rede para expansão da coleta;
  3. Aumento das áreas impermeáveis para a mesma densidade habitacional. Em Porto Alegre, na década de 90, se estimava que uma área urbana com 100 habitantes/ha tinha 50% de área impermeável. Agora seria 70% para a mesma densidade;
  4. Aumento do custo de coleta de lixo e limpeza das ruas com a expansão da área para o mesmo número de pessoas, aumentando o custo unitário na cidade.

A urbanização é um processo socioeconômico em que o país tende a aumentar o setor de serviços que ocorre, principalmente nas cidades e redução da natalidade. Com a melhoria de renda, esta população aumenta a área de ocupação e gera novas demandas, mesmo com a redução da população. A gestão e o planejamento da infraestrutura devem estar preparados para estes processos que no Brasil tem sido acelerado. Em países europeus desenvolvidos, as cidades se estabilizaram e estes processos podem ocorrer mais pela modernização das cidades.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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