Inundações urbanas: um problema universal

Nos últimos anos tenho trabalhado em consultoria em diferentes locais, sendo mais recentemente no Paraguai, Equador, Honduras, Aracaju, Santos, Vitória, Dhaka em Bangladesh, Jacarta na Indonésia entre outros. Além do rico aprendizado de conhecer pessoas, diferentes culturas e realidades, observei que nos cenários urbanos existem muitos problemas que se repetem. As diferenças são as escalas espaciais e temporais.
Os principais problemas comuns observados são:
• A transferência de inundação dentro da cidade devido a urbanização, com aumento da frequência e magnitude da inundação na medida em que a cidade cresce. Prejuízos crescentes devido aos eventos e a intervenção errada;
• Conexão entre redes pluviais e sanitárias (quando estas existem) e a rede de pluvial totalmente contaminada por efluentes de esgoto doméstico;
• Erosão e áreas degradadas devido ao aumento da velocidade do escoamento;
• Grande quantidade de lixo devido à baixa qualidade e a falta de recursos para uma gestão eficiente da coleta e limpeza das ruas, além de disposição final inadequada;
• Falta de prestador de serviço de drenagem urbana;
• Não existem mapeamento e zoneamento das áreas de risco e controle de sua ocupação;
• Investimentos inadequados em obras de controle que tendem mais a agravar os problemas existentes como a canalização de rios naturais para esconder a poluição e o lixo e uso do espaço para os carros, abandonando o ambiente.
• Os planos de drenagem são planos de obras sem nenhuma visão do ambiente, apenas acelerando o uso do espaço urbano onde a população está confinada;
• Desastre institucional pela fragmentação das instituições para tratar um problema interdisciplinar. Faltam instituições, conhecimento, informações e estratégia para atuar sobre as causas de forma integrada.
O processo de gestão adequado se inicia com:
• Construção institucional que tenha capacidade e recursos para atuar sobre os problemas;
• Capacitação dos agentes do estado;
• Base de dados;
• Recursos;
• Metas com visão de qualidade de vida e ambiental.
É um longo caminho, mas que algumas cidades mostram que vale a pena seguir, mas é longo e cheio de dificuldades devido a interesses e a ignorância.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

4 Comments

  1. Anderson Filiu de Souza

    Professor, posso utilizar o percentual de 80% de redução da área de um telhado cujas águas serão encaminhadas para um sumidouro?
    Estou utilizando a fórmula: V = 5,858.Pi. At.
    Grato e grande abraço.
    Anderson.

  2. Igor Andreu

    Gostaria de sanar mais algumas dúvidas:

    – na utilização de pisos permeáveis, valas de infiltração e desconexão de calhas de telhado, os fatores de redução serão aplicados no Pi ( porcentual de impermeabilização), ou seja, na redução da Ai (área impermeável)?

    onde, Pi = Ai.100/At,

    – o fator de dedução não será aplicado na At, sempre se mantendo constante?

    – teria algum material específico relacionado a este assunto?

    Obrigado.

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