Inundações em Bangkok

Na semana passada estive em Bangkok para apresentar o curso de Gestão Integrada de Inundações Urbanas. Preparei anteriormente este curso em português em 2005 para o Ministério das Cidades (publicação do Ministério). Depois foi preparada uma versão em espanhol com complementações do prof. Juan Bertoni de Córdoba e publicado pela GWP da América Latina.
A versão em português foi ampliada, permitindo a produção em 2007 do livro de Inundações Urbanas publicado pela ABRH. Depois foi preparada uma versão reduzida em inglês para a Capnet- Rede de Capacitação em Recursos Hídricos das Nações Unidas (www.capnet.org) e OMM Organização Meteorológica Mundial. A versão pode ser copiada no endereço da Capnet juntamente com vários outros cursos disponíveis promovidos pela Capnet.
A experiência foi interessante, pois consegui entender um pouco da inundação de Bangkok de novembro passado, apesar das 30 horas de viagem de ida e outras 30 h de volta e ficar numa fila de 1 hora e meia na imigração na entrada e outros 40 min na saída.
Bangkok está localizada numa bacia hidrográfica com 159 mil km2, numa região de topografia plana, próxima ao mar. À montante existem várias áreas de cultivo com 3 reservatórios de múltiplo usos: irrigação, energia (hidrelétrica) e controle de inundação. A cidade possui áreas com diques e outras com pequenos diques e um grande número de canais. As inundações são frequentes de diferentes magnitudes devido as condições desfavoráveis da cidade. A cidade está baixando (subsidence) devido a retirada de água e falta de recarga devido a impermeabilização, agravando as condições de inundações.
A inundação de 2011 foi maior dos anos recentes, principalmente quanto a duração e o tempo de esvaziamento o que paralisou uma cidade de população superior a 7 milhões de pessoas (Região de Metropolitana). O período chuvoso iniciou em agosto, já com inundações importantes na cabeceira da bacia, continuou a chover em setembro e outubro. Em novembro, quando o hidrograma de montante descia, depois de encher os reservatórios de montante, começou a chover a jusante, mas próximo da cidade sincronizando as inundações. As fotos abaixo mostram o impacto, inclusive do aeroporto.
Para a gestão de inundações em áreas com este conjunto de problemática requer um manejo de toda a bacia considerando diferentes componentes, iniciando pela gestão do uso do solo. No entanto, o que se observam são medidas estruturais como tuneis, canais e diques com visão limitada de cada área. Visitamos um túnel construído para um canal desviar de uma autopista ao custo de ser bombeado permanentemente. Atualmente estão procurando planejar um canal para desviar grande parte da vazão ( ” 1000 m3/s) do rio à montante. Estas obras dificilmente resolveram o problema, apesar dos custos. Em inundações pode-se reduzir os impactos, mas não eliminar os problemas. Não existem soluções milagrosas, mas um conjunto integrado de ações para reduzir os impactos.
Na semana próxima retornamos a série de artigos sobre as vazões de Trecho de Vazão reduzida.

Fonte: http://www.bangkokpost.com/multimedia/photo/264780/bangkok-flooding-nov-4

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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