Gestão integrada de águas urbanas

Este tema abordei anteriormente neste espaço, mas é importante retomar pelas dificuldades de implementação de um processo sustentável de gestão para as cidades. Águas urbanas é um termo utilizado nas últimas décadas para retratar o conjunto da infraestrutura de água na cidade e sua relação com o uso do solo que é o agente principal do impacto com a conservação ambiental e qualidade de vida, tendo em vista os aspectos institucionais que são os meios de levar a cabo este planejamento.

Esta terminologia se diferencia dos serviços de Saneamento porque busca uma integração mais ampla entre as infraestruturas urbanas e estabelece objetivos de sociedade. O saneamento como serviço tem sido desenvolvido fragmentado tanto nas suas relações com o uso do solo como na gestão institucional, além da falta de objetivos de sociedade que são a qualidade de vida e o meio ambiente. Você conhece alguma cidade no Brasil ou em país em desenvolvimento, em que os rios, riachos ou ribeirões (a nomenclatura depende da região) que cruzam a cidade estão limpos? Acho que não! Porque não existe este objetivo na prestação dos serviços de saneamento (isso quando existe o serviço).

A estratégia tem sido sempre se usar um manancial limpo próximo da cidade (sem ocupação na bacia) para abastecer a população. Com o tempo este manancial se contamina por falta de tratamento, pois não existe interesse em tratar e quando existe não funciona. A lógica é buscar água limpa cada vez mais distante. A crise observada principalmente em São Paulo é resultado da escassez de qualidade, não de quantidade. Muitos podem dizer que a carga é tão grande que não é possível tratar. Lamento, mas é uma desculpa de projetos ineficientes ou a falta de investimentos adequados. Los Angeles usa 20% do esgoto tratado. O problema é que a escassez não tinha batido à porta no Brasil (exceção do semiárido).
A gestão integrada busca integrar os serviços dentro de uma institucionalidade adequada e buscar uma estratégia para cidade que integre uso solo, infraestruturas e serviços para atingir metas de qualidade de vida e ambiental. Esta estratégia usualmente tem três etapas:

Fase 1: recuperação ou desenvolvimento sustentável integrado de infraestrutura como: vias de transporte, comunicação, energia e na água: abastecimento, coleta e tratamento de esgoto, drenagem e inundação, gestão dos resíduos sólidos. Estes elementos necessitam de projetos que integrem estes espaços;
Fase 2: amenidades, áreas de conservação e proteção ambiental e infraestruturas públicas de cultura e educação associados as infraestruturas da fase 1 como parques (que podem ser usados para amortecer inundações, melhorar a qualidade da água, mas limpos do esgoto); escolas integradas, museus, recreação, entre outros;
Fase 3: investimentos privados e públicos como hotéis, universidades, shoppings, habitação coleta, etc que tragam áreas de interesse e principalmente empregos e impostos para recuperação dos custos de investimentos e manutenção da infraestrutura.

Os problemas são integrados, infelizmente o planejamento e projeto tem partilhado os mesmos e gerado mais problemas que soluções. Portanto, é necessário retomar a integração dentro de objetivos de sociedade.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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