Falhas do saneamento – (Artigo 2 de 4)

No passado, a água era fornecida de poços e levada à jusante por redes de condutos mistos. Com o aumento da concentração de população, as águas dos poços passaram a transmitir doenças como tifo e cólera. No final do século XIX e até cerca de 1970, no século XX, a política higienista era de entregar água de fonte segura e enviar o mais distante possível o esgoto sem tratamento. Essa época foi chamada de “higienista”.

Na década de 60 e início da década de 70, verificou-se que as grandes metrópoles como Londres, Paris, Nova York, Chicago tinham seus corpos d’água contaminados em níveis insustentáveis. No início da década de 70, os Estados Unidos aprovaram o “Clean Water Act” (Lei da água limpa), que em síntese dizia que todos os efluentes deveriam ser tratados com a melhor tecnologia disponível, independente da capacidade do corpo receptor. O país investiu da ordem de US$ 300 bilhões com recursos subsidiados para cobrir o país e buscar a meta da lei. Este período, denominado “corretivo”, muda a concepção de transferir para a natureza o controle do efluente humano e transfere para a sociedade o custo do uso da água, buscando o desenvolvimento sustentável.

No final dos anos 80, no Relatório Brundtland (1987), é apresentado o conceito de desenvolvimento sustentável. Esta fase de desenvolvimento sustentável mudou a concepção dos sistemas urbanos e para que se busque a sustentabilidade, é necessário fechar o ciclo com tratamento dos efluentes. Isto foi atingido por alguns países desenvolvidos dentro de um nível de controle das cargas e com a aprovação pública. Além disso, verificou-se que estes países não tinham o desenvolvimento sustentável completo. Isso se deu faltavam ainda as cargas difusas, representadas pela poluição pluvial das cidades e das áreas rurais. Estes países estão atuando para reduzir as cargas difusas.

No entanto, o mundo em desenvolvimento ainda está na fase higienista. A própria justiça brasileira aceita que somente a coleta de esgoto e a transferência para jusante é suficiente para atender o serviço de esgoto. O sistema de indicadores de saneamento do país (SNIS) não tem indicador da taxa de redução da carga poluente. A população está longe do problema por falta de educação e entendimento do mesmo, e também pelo utilitarismo de não pagar as contas.

Portanto, falta um programa forte de educação ambiental. De outro lado, é visível a falta de compromisso das empresas de saneamento com os objetivos da sustentabilidade. Pois, você conhece alguma empresa preocupada com os rios contaminados? Não seria este o objetivo do tratamento do esgoto? A meta de saneamento não é de atingir padrões sustentável na qualidade da água do rio? Porque estas metas não entram na agenda de gestão das empresas? É como um cirurgião que faz a operação mas não lhe interessa se o paciente viverá ou não. Logo, as causas principais estão relacionadas com a falta total de gestão e institucionalidade para se obter metas objetivas sobre os sistemas hídricos.

Na sequência de artigos, apresentaremos as vazões usadas e introduzir elementos na equação da sustentabilidade nos próximos artigos. Leia o último clicando aqui.

About Prof. PhD Carlos E. M. Tucci

Engenheiro civil, MSc, PhD, professor aposentado do IPH-UFRGS, sócio-fundador da Rhama Consultoria Ambiental. Autor de mais de 300 artigos científicos, livros, capítulos de livros. Experiência de mais de 40 anos na área, com atuação junto a empresas e entidades nacionais e internacionais como: Unesco, Banco Mundial, BID, ANEEL, ANA, Itaipu, entre outros. Premiado em 2011 pela International Association of Hydrological Sciences.

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