Conceitos da drenagem urbana (Artigo 1 de 3)

Esta será uma sequência de 3 artigos, onde destacaremos alguns pontos que resumem os obstáculos e desafios para melhorar a gestão da drenagem urbana e manejo de águas pluviais. São questões físicas, econômicas e institucionais que tornam a tarefa de evitar inundações (devido à urbanização) mais difícil do que deveria ser.

Conceito

Para auxiliar nessa análise, vamos avaliar o que significa a definição de saneamento básico e seus componentes. A principal legislação que guia as prefeituras municipais no tema de drenagem urbana é a Lei Federal nº 11.445/07, que estabelece as diretrizes para o saneamento básico em todo o país. A LF lei define que saneamento básico é composto pelo seguinte:

  • Abastecimento de água;
  • Tratamento de esgoto;
  • Manejo de resíduos sólidos;
  • Drenagem urbana e manejo de água pluviais;

Analisando as componentes do saneamento básico, logo observa-se que o serviço que era denominado “drenagem urbana” antes da lei, passou a ser referida também por manejo de águas pluviais.

A drenagem urbana é um termo que representa com fidelidade a prática de décadas passadas em que o problema de águas pluviais nas cidades era resolvido apenas tratando de fazer com que os volumes gerados pelas chuvas fossem drenados o mais rapidamente possível para jusante. O princípio era impermeabilizar o solo com pavimentação e canalizar córregos o máximo possível, para que a água da chuva, uma vez no solo, fosse afastada da cidade rapidamente. Quando as cidades não eram tão grandes, esta técnica funcionava razoavelmente bem. Na medida em que foram surgindo grandes áreas urbanizadas ao longo de córregos, os efeitos nocivos da prática adotada começaram a ser notados. A impermeabilização do solo faz com que diminua a infiltração da água da chuva e, desta forma, aumente o volume de escoamento superficial. Assim, eventos de chuva que anteriormente à impermeabilização eram parcialmente infiltrados no solo, passam a gerar vazões maiores, ou seja, volumes maiores de escoamento superficial. Em conjunto com a canalização, retificação e revestimento de córregos, o efeito de impermeabilização aumenta e transfere para jusante os problemas de inundação. Se o problema não for resolvido para um determinado bairro ou cidade situado a jusante, aquilo que poderia ser uma chuva sem grandes consequências pode passar a ser um evento prejudicial.

Começam então a ser empregadas técnicas de retenção de águas pluviais. Estas técnicas visam reverter o efeito de impermeabilização em áreas já consolidadas e não aumentar os efeitos de inundação em novos desenvolvimentos imobiliários. No Brasil, os dispositivos de retenção de águas pluviais são conhecidos como bacias de retenção, bacias de amortecimento, ou mesmo pelo termo popular de “piscinões”.

O manejo de águas pluviais ainda não está consolidado na prática da engenharia no Brasil. Os técnicos do setor não praticam o conhecimento da academia e de experiências de outros países. Isso se reflete nas decisões dos gestores públicos, que são induzidos a projetos de canalização.

No próximo artigo falaremos do fator gerador da demanda por drenagem urbana e da eficácia do serviço.

About Dante Larentis

Engenheiro civil, Dr. em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental e sócio da Rhama Consultoria Ambiental. Possui mais de 15 anos de experiência em estudos hidrológicos, modelos de simulação e geoprocessamento. Já atuou como engenheiro na Concremat-RJ, diretor na Metroplan, consultor do Banco Mundial, PNUD, Itaipu, entre outros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *